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No Flow, Lula se apresenta como barreira ao fascismo: ‘Gosto do povo. Gosto de gente’

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Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira, 1º de outubro, que sua candidatura representa um obstáculo ao avanço do fascismo no Brasil e que a responsabilidade de enfrentar a extrema direita o mantém forte e vigoroso na disputa. Em conversa com Igor Coelho, no Flow, Lula apresentou a coerência de sua trajetória, a honestidade e a ligação com a população como razões para seguir à frente do país. O podcast atingiu a marca de 1,6 milhão de visualizações simultâneas, recorde do programa.

“Se não fosse eu para enfrentar esses fascistas, eles ganhariam as eleições com facilidade. Então eu sou um entrave para eles”, declarou. O presidente afirmou que sua disposição de continuar na vida pública está ligada ao compromisso de impedir que esse projeto volte a governar o Brasil.

A preocupação com as condições de vida dos brasileiros também atravessou a conversa. Lula anunciou planos para uma nova etapa de renegociação de dívidas pelo Desenrola e cobrou mudanças na oferta de crédito para conter o endividamento das famílias.

Na avaliação do presidente, a escolha eleitoral deve considerar a história dos candidatos e o que cada um tem a oferecer à população.

Lula relacionou parte da resistência à sua atuação às políticas que ampliaram o acesso de brasileiros pobres à universidade, garantiram oportunidades à população negra e reconheceram direitos de indígenas e quilombolas. Citou o incômodo de setores privilegiados com a possibilidade de filhos de trabalhadores ocuparem espaços antes reservados a poucos.

“Essa gente que não gosta de mim vai continuar não gostando, mas eu vou continuar fazendo”, afirmou.

Valores e honestidade

Lula afirmou que não abre mão dos valores que orientam sua vida desde antes da chegada à Presidência. Em uma das declarações mais enfáticas, desafiou qualquer pessoa a dizer que lhe ofereceu propina.

“Eu duvido você encontrar um desgraçado nesse país que um dia fala para você: ‘Eu ofereci R$ 5 de propina pro Lula’. Eu duvido, duvido”, declarou.

O presidente afirmou que sua postura estabelece uma barreira a qualquer tentativa de corrupção. “Na minha está escrito: nem venha, porque eu não aceito”.

Para Lula, essa posição está ligada à formação que recebeu de sua mãe, dona Lindu. O presidente recordou os ensinamentos sobre caráter e dignidade e disse que preservar essa herança é motivo de orgulho.

Ele contou que assistiu com Janja a uma participação sua em um programa de televisão de 1978 e reconheceu naquela fala os compromissos que mantém na Presidência.

“Eu tenho uma coisa na vida que é coerência. Eu sei de onde eu vim, sei para onde eu vou”.

‘Gosto do povo e de gente’

A ligação com a população foi apresentada por Lula como um elemento central de sua forma de governar. O presidente afirmou que a experiência de quem enfrentou fome, moradia precária e dificuldades para chegar ao trabalho permite compreender o que está por trás das necessidades dos brasileiros.

“Tem uma coisa que eu tenho que os outros não têm. Eu gosto do povo. Eu gosto de gente”, afirmou.

Lula recordou enchentes que atingiram sua casa, os períodos em que viveu em barraco e os trajetos feitos a pé por não ter dinheiro para o transporte. Disse que essas experiências não o tornaram uma pessoa amarga nem diminuíram sua disposição de conviver com os outros.

“Nada disso me tornou um cara ruim, um cara azedo. Eu gosto das pessoas”, declarou.

O presidente afirmou ter uma dívida de gratidão com os brasileiros mais pobres, que reconheceram em alguém com uma história semelhante à deles a possibilidade de governar o país.

“Eu sou um cara que devo muito, mas muito, muito, muito ao povo pobre desse país”, disse. Lula ressaltou o orgulho de ter sido eleito presidente três vezes e manifestou confiança em uma nova vitória.

Essa relação também apareceu na explicação de sua política econômica. Segundo Lula, distribuir renda e ampliar o poder de compra dos trabalhadores movimenta o comércio, estimula a produção e gera empregos. O dinheiro que chega às famílias se transforma em alimentos, material escolar e outras compras que sustentam a atividade econômica.

“Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, resumiu.

Crédito responsável e Desenrola 3.0

Lula reconheceu que o endividamento continua comprometendo a vida de muitas famílias e afirmou que o governo precisa enfrentar a concessão irresponsável de crédito. Criticou os juros elevados e a distribuição de cartões pelos bancos sem o devido cuidado com a capacidade de pagamento dos clientes.

“Nós vamos ter que moralizar um pouco essa questão de crédito”, afirmou.

O presidente disse que o assunto está sendo discutido com o Banco Central e com a equipe econômica. Entre as medidas mencionadas, apontou a intenção de restringir a multiplicação de cartões oferecidos a uma mesma pessoa, como parte de uma mudança mais ampla na relação entre instituições financeiras e consumidores.

“Nós vamos ter que cuidar disso com carinho”, declarou.

Nesse contexto, Lula detalhou a proposta do Desenrola 3.0. Segundo ele, a ideia é realizar leilões para adquirir dívidas com grandes descontos e permitir que os brasileiros regularizem sua situação pagando uma parcela reduzida do valor original.

Pelo desenho apresentado na conversa, a iniciativa pretende alcançar R$ 150 bilhões em dívidas. Lula explicou que parte desses débitos já é considerada de difícil recuperação pelos bancos, o que permitiria negociar descontos de 90% ou 95% nos leilões. Nesse último caso, o devedor pagaria os 5% restantes.

O presidente disse esperar participação ativa das instituições financeiras e afirmou que o primeiro leilão, inicialmente previsto para novembro, deverá ser antecipado em alguns dias para funcionar como projeto-piloto.

A proposta foi apresentada como parte do compromisso de devolver às famílias condições de organizar as contas e recuperar seu poder de compra. Para Lula, fazer a economia crescer exige que o dinheiro circule e que a população tenha condições de participar desse crescimento.

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