POR QUE ESTA ELEIÇÃO É UMA GUERRA SEM TIROS, por Francisco Chagas

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“O problema do Brasil é, fundamentalmente, um problema de consciência nacional. Sem ela, a nação se dissolve em arquipélago de interesses estrangeiros.” – Alberto Guerreiro Ramos

A recolonização da América Latina não é ameaça – é fato. Disfarçada de “mercado livre”, “combate ao autoritarismo” ou “segurança hemisférica”, a ofensiva imperialista avança em múltiplas frentes: interferência digital, sanções que matam, cooptação de elites e ameaças militares veladas.
Venezuela: 900 sanções que ceifam vidas mais que qualquer conflito. Cuba: bloqueio de seis décadas, agora com ameaça explícita de invasão. Argentina: desestabilização orquestrada pelo FMI e Tesouro dos EUA. México: espionagem e ingerência energética. Contra esse cenário, o Brasil é o último bastião de autonomia. Por isso, é o alvo principal.
O império não precisa de tanques. Basta um fantoche que faça o serviço. Flávio Bolsonaro encarna esse papel: privatizar o pré-sal, abrir a Amazônia ao capital externo, rasgar acordos ambientais, criminalizar movimentos sociais e transformar as Forças Armadas em milícia a serviço de Washington.
A trama é sofisticada. Primeiro, rotulam facções criminosas como “terroristas” – artifício jurídico que permite intervenção dos EUA em solo nacional, sem Congresso, sem direito internacional. Depois, usam big techs como máquinas de guerra cognitiva: algoritmos que amplificam ódio, desinformam e fazem a democracia parecer o problema.
Lula tem razão: o mundo está cheio de loucos. Mas eles não estão em manicômios – estão em think tanks, conselhos de tecnologia e comitês de candidatos que juram lealdade a bandeira alheia.
A eleição de 2026 não é um pleito comum. É uma guerra sem tiros. Reeleger Lula é vencer a batalha inicial – não porque ele seja um messias, mas porque representa o único campo com densidade estratégica, lastro internacional e compromisso histórico com a soberania. Seu governo provou que é possível protagonismo sem submissão: reergueu alianças Sul-Sul, recolocou o Brasil na paz e na diplomacia ativa, resistiu à entrega da Amazônia e do pré-sal.
Mas vencer exige mais que voto. A soberania precisa estar no centro do debate e do programa de governo:
· Recuperar capacidade estratégica (tecnologia, fármacos, semicondutores, ciberdefesa).
· Fortalecer as Forças Armadas como dissuasão, não ocupação interna.
· Criar sistema público de comunicação para contrapor as plataformas estrangeiras.
· Retomar o controle dos recursos naturais e da política energética.
· Construir integração latino-americana que nos blinde coletivamente.
Soberania não se negocia. Conquista-se, defende-se, cultiva-se. Esta eleição decide se seremos colônia ou nação, vassalos ou protagonistas, quintal dos EUA ou potência civilizadora.
Brasileiros: acordem. A guerra já começou. As trincheiras são as urnas, as redes e as ruas. O inimigo não usa farda – usa discurso de “liberdade” para escravizar. Não traz bombas – traz algoritmos. Não anuncia invasão – anuncia “cooperação”. O projeto é o mesmo de sempre: dominar, explorar, subjugar.
Reeleger Lula é o primeiro passo. Mas será preciso organizar, resistir, educar e acreditar que um outro Brasil é possível – soberano, justo e livre.
O futuro não está escrito. Está em disputa. E esta disputa é agora.
Compartilhe, debata, leve às ruas. Consciência é a arma mais poderosa – e ela está em nossas mãos.

SP 30 de junho de 2026
FRANCISCO CHAGAS
, cientista social, vice-presidente do PT Paulista, ex deputado federal e vereador

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