Afinal: para que soberania ?, por Charles Gentil

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A discussão sobre a soberania nacional pode parecer distante aos cidadãos, que trabalham e estão tomados de inúmeros outros afazeres e problemas particulares e ainda encontram-se empenhados em levar, no final do dia, comida para sua família.

Até pode parecer uma discussão técnica, burocrática, infértil, sem nenhuma relevância para o cotidiano das pessoas ou algo supérfluo por supostamente carecer de um sentido prático imediato, diante de alguma outra questão definida, por isso, como proprietária.

No entanto, tenha consciência disso ou não, o fato é que: viver em um país soberano ou em uma nação dependente impacta diretamente na vida e na qualidade de vida das pessoas.

Um país soberano utiliza os recursos naturais que tem disponível para promover o próprio desenvolvimento, enquanto um país dependente de outro, política e/ou economicamente, sacrifica sua prosperidade financeira e social em nome do progresso do país que o domina.

Então, afinal: para que soberania? A soberania de uma pátria significa que as riquezas naturais que detém são revertidas para seu povo em investimentos nas mais diversas áreas ( da educação a saúde, na geração de trabalho a uma política de valorização do salário mínimo).

Logo, não só o dia a dia das pessoas, mas a própria vida do cidadão, isto é, sua existência inteira, sofre interferência direta na maneira pelo qual, o governo de seu país escolhe se posicionar geopolíticamente no mundo: se de forma soberana ou dependente.

O acesso à saúde na Unidade de Pronto Atendimento – UPA ou na Unidade Básica de Saúde – UBS, no território em que o cidadão está domiciliado, a oportunidade de trabalho que se abre ou fecha, a disponibilidade de vagas a seus filhos em creches ou escolas da região e a valorização do salário mínimo tendo como referência a recomposição do índice de inflação e o maior ou menor Produto Interno Bruto – PIB, associam-se tais condições à capacidade de seu país de administrar as próprias riquezas que possui visando, com isso, reverter os ganhos com a exportação de produtos domésticos em benefícios para o conjunto da sociedade.

A comercialização de terras raras e minerais críticos do Brasil, para suprir na cadeia global a necessidade desses elementos, desde que o país continue a adotar a perspectiva da soberania, certamente, permitirá ao Brasil auferir vultosos recursos financeiros, que poderão ser colocados a disposição do desenvolvimento econômico e social do Brasil; porém, isso ainda é insuficiente para o exercício pleno da soberania.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo atrás apenas da China.

Os elementos das terras raras tem aplicação prática na produção por exemplo, de computadores e nas telas sensíveis ao toque que caracterizam os celulares, portanto, está presente no cotidiano de milhões de cidadãos, tanto no trabalho, quanto no uso doméstico feito desses objetos.

Além de entrar na composição de alto-falantes e microfones a eles associados. Mas, não para por aí.

Nas telas de tv e nas lâmpadas de led, a luminosidade, o brilho vibrante, deriva de um dos 17 elementos das terras raras, o európio.

O impacto das terras raras na rotina das pessoas está diretamente ligada, inclusive, na mobilidade dos cidadãos, pois, um dos seus elementos, o lantânio, auxilia no processo químico para a fabricação da gasolina e, assim, o uso das terras raras está presente no transporte diário de milhões de pessoas.

Do noticiário que você acompanha na tv, a comunicação e uso das redes sociais com amigos e parentes feito pelos aparelhos de celular. Do monitor do computador no seu trabalho até no transporte de volta para casa, os elementos das terras raras moldam aspectos de nossas vidas e muitas vezes, sequer damos conta de sua inevitável presença.

Não é só.Do motor do drone de combate, aos sensores de mísseis guiados até sistemas de radar, em todos esses equipamentos militares, em uso em conflitos como: o da Rússia X Ucrânia ou o ataque dos Estados Unidos ao Irã, há a presença dos elementos das terras raras.

Tanto na paz, quanto na guerra, as terras raras são vitais para o funcionamento do dia a dia das mais diversas sociedades e culturas impactando, assim, profundamente a vida das pessoas, seja pelo sofrimento ou conforto que ocasiona, de acordo com o propósito para o qual os elementos das terras raras serão utilizados.

Ao ser empregado para a produção de energia limpa, os elementos: neodímio e o praseodímio, geradores de potentes campos magnéticos, estão presentes nos motores de carros eletrificados, auxiliando na desintoxicação do ar e no transporte diário e saudável de milhões de passageiros.

Os minerais críticos como por exemplo, lítio, cobalto e níquel, estão presentes em celulares, notebooks e nas baterias desses equipamentos.

Imagine,hoje, o impacto em nossas vidas viver sem celulares, computadores ou notebook?, quando nossa sociedade e nós mesmos, fomos moldados para existir pelo uso cotidiano e dependente dessas tecnologias. Precisaríamos mais uma vez, nos reinventar.
Nos desabituar a comodidade, ao conforto e ao ganho de tempo, que o uso dessas tecnologias permitem.

Há ainda o cobre, esse mineral crítico, presente na fiação elétrica dos domicílios e nos cabos de internet, bem como em motores de veículos, devido sua propriedade de servir como condutor de eletricidade.

O silício usado para chips de computadores e presente em quase todos aparelhos eletrônicos; o alumínio em latas de bebidas e o titânio presentes em próteses médicas e implantes dentários.

Enfim, o uso de terras raras e minerais críticos, estão presentes em uma infinidade de objetos que dizem respeito à própria personalidade das sociedades,hoje, existentes e, portanto, seu uso ou eventual desuso afetam o seu funcionamento.

Nesse sentido, a soberania do Brasil não deve ficar restrita apenas na proteção dessas reservas de terras raras e minerais críticos para exportação visando suprir a cadeia global necessitada desses elementos.

A verdadeira soberania nacional assenta-se em desenvolver e comercializar tecnologia própria por meio das terras raras e minerais críticos que dispomos.

Para que soberania? Por que a soberania é importante? Para que o Brasil possa continuar a desenvolver sua própria indústria e projetar ainda mais no cenário internacional o país como um produtor de tecnologia acabada.

Ao invés de negociar silício comercializar chips produzidos “made in Brazil”; ao invés de vender lantânio ofertar ao mundo combustível brasileiro; ao invés de exportar lítio, cobalto e níquel suprir a cadeia global com equipamentos eletrônicos produzidos,aqui,no Brasil.

Desta forma, nossa soberania nacional associa-se diretamente ao nível de desenvolvimento tecnológico que almejamos atingir.

A extração dos elementos das terras raras e minerais críticos não deve ser um fim em si, mas apenas uma etapa no desenvolvimento tecnológico que persiga uma indústria própria capaz de suprir a cadeia global com tecnologia nacional de ponta e não apenas com a extração negociada desses recursos naturais.

Ao mirar a meta de uma poderosa indústria própria com tecnologia de ponta de exportação, o Brasil defende desde já, sua soberania e coloca os benefícios daí resultantes, a serviço da população que passará a receber o impacto das terras raras e minerais críticos, não apenas no uso diário das tecnologias que proporcionam e das quais ainda dependemos de outros países.

Mas, pela prosperidade material que decorrerá ao conjunto da sociedade, quando, enquanto nação, ao invés de ser suprido, passar a suprir a cadeia global com tecnologia de ponta nacional, a partir dos elementos das terras raras e dos minerais críticos que o Brasil possui.

Para que soberania? Para que o Brasil, junto com Lula, ao aprofundar em um quarto mandato, o desenvolvimento do exercício pleno da soberania possa tornar-se uma pátria ainda mais próspera, potente e feliz.

Charles Gentil
Secretário de Finanças,PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro,PED 2019

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