Na quinta-feira (15.10.2026), na Avenida Mutinga, em Pirituba, próximo da divisa com São Paulo e Osasco, Camila Pereira da Silva, 32 anos, em provável surto psicótico e portando uma arma branca foi executada com um disparo a queima-roupa, por um policial militar das
Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas(ROCAM) subordinada ao governo de São Paulo.
Com isso, na capital paulista, em apenas duas semanas, contabiliza-se a terceira morte envolvendo a atuação policial e pessoas com indícios de saúde mental comprometida.
O fato por si só evidencia o despreparo dos agentes das forças de segurança pública e, simultaneamente, denuncia a inaptidão de Tarcísio de Freitas, que na condição de governador reeleito, subscreve com sua negligência autoritária o incremento da letalidade policial.
Nesse sentido, a gestão de Tarcísio de Freitas também é desastrosa e comprovada por indicadores que revelam números ostensivos de letalidade policial e demonstram, assim, a evolução progressiva das execuções promovidas por policiais que atuam amplamente despreparados no exercício de suas atribuições.
Tanto na cidade, quanto no Estado, de acordo com Dados Oficiais do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a atuação policial é, portanto, marcada pelo crescimento das mortes, expondo – penso – uma verdadeira carnificina a céu aberto e que conta com a anuência tacitamente silenciosa de Tarcísio de Freitas.
Se, por um lado, na cidade de São Paulo, sob o governo de Tarcísio de Freitas, tem-se em 2023,2024, 2025 e 2026 respectivamente, 139, 175, 186 e 190 mortes ocorridas após intervenção policial.
Por outro lado, no Estado, não foi diferente e os indicadores demonstram que a letalidade policial também cresceu sendo 357 mortes em 2023, 653 em 2024 e 703 em 2025.
O caso fica ainda mais assombroso, se considerar-se que, não se trata de mero descumprimento de protocolo, pois, sabe-se que a polícia militar, enquanto corporação, conta com procedimento que institui o uso progressivo da força para conter pessoas em surto; e que a arma de fogo só pode ser disparada em último caso.
O fato é que o despreparo é ostensivo, uma vez que, considero somar-se a inaptidão técnica para lidar com situações de estresse limite, não só a propensão ao abuso de poder e a certeza de que excessos e neutralizações não serão punidas, mas também, adicione-se a esses aspectos do despreparo, mais um: o comprometimento da saúde mental do próprio agente de segurança pública.
De acordo com o censo do Ministério da Justiça (MJSP), em 2024, 70,4 mil servidores da força de segurança pública, foram afastados acometidos por transtornos mentais e de comportamento.
Em 2023, registrou-se 118 mortes por suicídio, em 2024, 126 policiais atentaram com êxito contra a própria vida.
Em 2024, ocorreram 28.449 licenças do trabalho registradas sob CID-10 que abrange entre elas a depressão ( F32) e 1.472 policiais foram afastados sob sigilo médico.
Se os agentes da força de segurança devem zelar pela ordem pública e proteger a sociedade como o farão? se eles próprios, na condição de trabalhadores, submetidos a humilhações provenientes da distinção hierarquica, mal remunerados e inseridos em rotina de um trabalho estressante e cuja vida é exposta a riscos permanentes
Aliás, o risco para a sociedade apenas aumenta com o despreparo técnico associado ao comprometimento da saúde mental do agente da segurança pública.
De qual segurança a sociedade dispõe quando aquele policial que empunha uma arma é acometido, frequentemente, por ímpeto suicida ou alterações comportamentais que podem colocar outro em risco?
De qual segurança a sociedade dispõe quando quem deve protegê-la faz uso de tarja preta sem o devido acompanhamento médico ?
De qual segurança a sociedade dispõe quando policiais deprimidos, laudados ou não, são acionados para uma ocorrência ?
A sociedade estará em segurança quando os homens de farda que portam as armas possuem comprometimento mental?
O caso de Camila Pereira da Silva com indícios de comprometimento da saúde mental portando, na rua, uma arma branca sendo, por isso, executada teria sido eliminada pela arma de fogo de um policial com eventual comprometimento de saúde mental?
O fato é que, tal observação longe de querer amenizar o ocorrido, na verdade, pretende chamar a atenção para a complexidade que envolve a temática da segurança pública no país e denunciar que o despreparo dos agentes da segurança pública comporta, inclusive, o quesito negligenciado da saúde mental, o que potencializa o risco das intervenções policiais junto a sociedade.
Longe de querer absolver o policial que executou Camila, tal observação condena Tarcísio de Freitas, pela negligência com que naturaliza o crescimento da letalidade policial consequência evidente do despreparo: quer técnico, quer de saúde mental do agente de segurança pública, notabilizando a incapacidade administrativa do atual governador para lidar com a proteção da sociedade.
Camila Pereira da Silva foi mais uma vítima da péssima gestão de Tarcísio de Freitas.
E para além da perda de Camila, da sanidade em dia ou não do policial que a executou, há muitas outras ocorrências que demonstram que a truculência e brutalidade policiais associam-se a prováveis indícios de comprometimentos de saúde mental do agente da segurança pública tornando-o inapto para o exercício das funções.
Até porque, é certo que policiais tarja preta colocam em risco a sociedade, tal qual, de forma ostensiva, Tarcísio de Freitas, com sua negligência também.
Charles Gentil
Secretário de Finanças, PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro, PED 2019


