O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal de Combate ao Racismo, celebra neste mês o Julho das Pretas, reafirmando nosso compromisso histórico com a luta antirracista e com o protagonismo das mulheres negras na construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.
Criado em alusão ao 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, o Julho das Pretas é um momento de reflexão, mobilização e reconhecimento das trajetórias de resistência, sabedoria e liderança das mulheres negras brasileiras — especialmente aquelas que, com coragem e compromisso, constroem cotidianamente o Partido dos Trabalhadores.
A Secretaria Municipal de Combate ao Racismo do PT São Paulo quer, neste mês simbólico, homenagear as mulheres negras que ajudaram e ajudam a fazer do nosso partido uma ferramenta de transformação social. São militantes, lideranças comunitárias, intelectuais, artistas, trabalhadoras, dirigentes e tantas outras companheiras que enfrentam o racismo estrutural e o sexismo com organização, estratégia e afeto coletivo.
Reconhecer essas mulheres é reafirmar o nosso projeto político de inclusão e reparação histórica. É também um chamado à ação: fortalecer políticas públicas de igualdade racial e de gênero, ampliar a participação das mulheres negras nos espaços de poder e garantir que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.
Neste Julho das Pretas, o PT São Paulo reafirma: sem feminismo negro, não há transformação possível. Sem as mulheres negras, não há Partido dos Trabalhadores.
Depoimento da Sandra Mariano
O Movimento de Mulheres Negras, juntamente com feministas e organizações mistas,
tem debatido, desde suas origens, o protagonismo das mulheres negras e suas pautas
específicas. Nomes como Lélia Gonzalez, Nilma Bentes, a Ministra Matilde Ribeiro, a
saudosa Sônia Leite, Kika de Besen, Sueli Carneiro, entre outras, foram fundamentais
nesse processo.
A criação, em 03/2018, do Fórum Nacional de Mulheres Negras (FNMN/BR) foi crucial,
pois, em conjunto com as organizações do Movimento de Mulheres Negras, defendeu a
importância de uma data para celebrar as lutas e apresentar as pautas dessas mulheres.
Inicialmente, as atividades aconteciam em todo o Brasil no dia 25 de julho e,
posteriormente, foram denominadas “Julho das Pretas”.
Nessa data, são realizadas plenárias, encontros e, principalmente, saídas às ruas com
nossos símbolos. O objetivo é mostrar à população brasileira a presença e a força das
mulheres negras feministas: trabalhadoras urbanas, rurais (do campo e das cidades), do
axé, LBTQIA+, em situação de rua, profissionais de diversos setores, entre outras.
Nossas pautas foram disseminadas em diversas Conferências Nacionais, especialmente
na antiga Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e na Secretaria
Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPPM), hoje Ministérios das Mulheres e da
Igualdade Racial.
Grandes avanços foram conquistados, como:
- A Lei Maria da Penha, criada após a violência sofrida por Maria da Penha, que
quase a levou à morte por seu companheiro. - A Lei do Feminicídio, que oferece apoio a pesquisas sobre o aumento de
assassinatos de mulheres por seus companheiros, namorados e amantes. - A criação das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem atendimento integral a
mulheres e seus filhos em situação de violência. - A criação das Delegacias da Mulher, que recebem denúncias, emitem medidas
protetivas (proibindo o agressor de se aproximar da vítima) e oferecem Casas de
Apoio sigilosas. - O apoio para que mulheres em situação de violência possam buscar emprego e
tratamento de saúde (psicológico e outros).
Na 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, decidiu-se realizar a 1ª
Marcha das Mulheres Negras, que ocorreu em 2015 em Brasília. O evento reuniu mais de
50 mil mulheres negras de todos os estados do Brasil.
Diante de toda essa luta, em 2014, o governo da Presidenta Dilma Rousseff, reconhecendo
nossa história, instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Desde então, todos os anos, no #JulhodasPretas, dia 25 de julho, as mulheres negras vão
às ruas, realizam plenárias e outras atividades para celebrar o Dia Nacional de Tereza de
Benguela e da Mulher Negra.
Sandra Mariano
Executiva FNMN/BR


