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Tesouraço de Flávio: 2,2 milhões de desempregados e menos R$ 68,7 bi para trabalhadores

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Site do PT

O tesouraço de quase R$ 200 bilhões proposto pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pode custar milhões de empregos e atingir diretamente o bolso das famílias brasileiras. Estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a pedido das centrais sindicais, estima que o ajuste deixaria o país com 2,2 milhões de postos de trabalho a menos e retiraria R$ 68,7 bilhões da renda dos trabalhadores em 2027, na comparação com um cenário sem os cortes.

O levantamento dá dimensão econômica ao alerta de Lula de que o ajuste do adversário ameaça a população mais pobre e os trabalhadores. Pelos cálculos do departamento, a redução das despesas públicas provocaria uma perda de R$ 203,1 bilhões na atividade econômica. Com menos dinheiro circulando, o comércio vende menos, as empresas reduzem a produção e o mercado de trabalho perde força.

O estudo simula os efeitos da proposta com base nas informações disponíveis sobre o plano econômico de Flávio Bolsonaro. O próprio Dieese ressalta que os resultados poderão ser aperfeiçoados quando o candidato e sua equipe apresentarem mais detalhes das medidas.

A conta considera R$ 116,9 bilhões em cortes no primeiro ano e R$ 175,4 bilhões em 18 meses. Somada à meta de superávit de R$ 18,6 bilhões utilizada no levantamento, a redução acumulada das despesas comporia um esforço fiscal de aproximadamente R$ 194 bilhões, equivalente a 1,5% do PIB. Os impactos estimados para 2027 decorrem da primeira etapa desse ajuste.

Menos oportunidades e risco de recessão

Mesmo na hipótese mais favorável analisada pelo Dieese, o tesouraço frearia a economia e aumentaria o desemprego. Partindo de uma previsão de crescimento de 2,46% em 2027, o departamento estima que os cortes reduziriam a expansão para apenas 0,91%.

Nesse cenário, a geração de postos de trabalho cairia de aproximadamente 3,37 milhões para 1,14 milhão. O saldo seria insuficiente até para absorver o aumento do número de pessoas que procuram trabalho: segundo o estudo, seriam necessárias cerca de 1,33 milhão de novas ocupações por ano para acompanhar esse crescimento.

Na hipótese pessimista, que parte de uma projeção de expansão de 1,4%, o ajuste levaria o Brasil à recessão, com retração de 0,15% do PIB. Nesse caso, o saldo anual seria negativo em aproximadamente 271 mil postos de trabalho. Considerada também a entrada de pessoas no mercado, o número de desempregados poderia passar de 5,8 milhões para 7,4 milhões, com a taxa de desocupação entre 6,5% e 7%.

Os 2,2 milhões de empregos a menos representam a diferença entre as trajetórias com e sem o tesouraço. O número abrange tanto oportunidades que deixariam de ser criadas quanto a destruição de vagas, conforme o cenário econômico.

Aposentados e beneficiários na linha de corte

Para dimensionar os efeitos do ajuste, o Dieese distribuiu a redução das despesas entre grandes áreas do orçamento federal. Na simulação, 51% recairiam sobre transferências de renda, como Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial. Outros 17% atingiriam despesas com pessoal e 32%, os demais gastos públicos.

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro fala em medidas como redução de ministérios, corte de cargos e revisão de despesas, mas não apresentou uma conta detalhada que demonstre como chegará à economia prometida.

A avaliação do Dieese é que medidas administrativas e venda de patrimônio público não alcançariam, sozinhas, a dimensão do ajuste. Para o departamento, cortes dessa magnitude exigiriam atingir grandes políticas públicas e alterar garantias como a vinculação de benefícios ao salário mínimo e os pisos de saúde e educação.

O peso sobre as transferências de renda ajuda a explicar o tamanho do prejuízo econômico projetado. Na simulação, elas respondem por 79% da perda estimada no PIB. São recursos que chegam às famílias e voltam à economia na compra de alimentos, medicamentos, roupas e serviços, movimentando também os negócios locais.

O estudo alerta ainda que congelar as despesas em termos reais, permitindo apenas a reposição da inflação, restringiria a ampliação do atendimento à população. Benefícios sem ganho real, limitações a novas contratações de servidores e menos investimentos comprometeriam a capacidade do Estado de acompanhar o crescimento das necessidades sociais.

Sacrifício social sem estabilizar a dívida

Além de reduzir empregos e renda, o tesouraço enfraqueceria a própria arrecadação. Com menor atividade econômica, o governo recolheria R$ 46,8 bilhões a menos em tributos, segundo a projeção. Essa perda consumiria cerca de 40% dos R$ 116,9 bilhões de economia bruta previstos para o primeiro ano.

O resultado primário, a diferença entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida, ficaria em aproximadamente R$ 89 bilhões, ou 0,7% do PIB. Nas condições consideradas pelo Dieese, o valor seria insuficiente para estabilizar a dívida pública em relação ao tamanho da economia, mesmo no cenário otimista.

“As medidas propostas não seriam suficientes para estabilizar a relação dívida/PIB em nenhum dos cenários simulados”, afirma o documento.

O departamento sustenta que o peso dos juros é central para explicar o avanço do endividamento. A posição é que o ajuste se concentra em despesas que sustentam o consumo e os serviços públicos, enquanto deixa de enfrentar outras possibilidades, como a revisão de subsídios fiscais e uma contribuição maior das altas rendas e dos grandes patrimônios.

A conclusão do levantamento aponta que o ajuste pode impor perdas de emprego, renda e proteção social sem entregar a solução fiscal prometida.

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