Lula expõe herança maldita de Bolsonaro e convoca: ‘Vamos encará-los. A verdade vai vencer’

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a militância a combinar mobilização nas redes e presença nas ruas para mostrar o que está em disputa nas eleições de outubro. Durante a live que encerrou o Dia 13 com Lula, neste domingo, 13, o presidente lembrou o legado negativo deixado pelo governo de Jair Bolsonaro, criticou o uso da mentira como instrumento eleitoral e pediu que apoiadores apresentem à população os resultados e as propostas de seu projeto para o país. Nesta eleição, frisou Lula, está em jogo o futuro de cada um dos brasileiros, de seus filhos, de sua família e do Brasil.

“Nós precisamos transformar esses 20 dias de campanha que falta na verdade absoluta, para vencer a mentira absoluta […] Portanto, vamos à luta pelo computador, pelo celular, mas sobretudo na rua, encará-los cara a cara e dizer que a verdade vai derrotar a mentira”, afirmou.

Ao longo da transmissão, Lula ressaltou que os brasileiros sabem bem o que foi o governo Bolsonaro e têm argumentos de sobra para enfrentar a desinformação. “O cara que acha que pode matar, o cara que acha que pode estuprar, não vai melhorar nada. Só vai piorar. E vocês já viveram essa experiência”, disse.

Lula citou também o custo dos alimentos, os recursos necessários para assegurar políticas sociais na transição e as dívidas que sua gestão precisou pagar. Para o presidente, a campanha deve transformar essa comparação em conversa direta com os eleitores.

“Então o que não falta para nós é argumento para derrotar mentira. E nós precisamos transformar esses 20 dias de campanha que falta na verdade absoluta, para vencer a mentira absoluta”, destacou.

Lula também criticou candidatos que recorrem à desinformação para chegar ao poder, mas não têm capacidade nem compromisso para governar em benefício da população.

“Porque o sacana que ganhou uma eleição mentindo, ele não consegue governar mentindo. Vai resultar no Collor de Mello, vai resultar no Bolsonaro, vai resultar em gente imprestável no governo, porque não sabe governar, porque não tem relação com o povo, porque não tem compromisso com o povo”, declarou.

O presidente disse que somente com o apoio de militantes e comunicadores pode criar uma “máquina poderosa para acabar com a mentira no Brasil”.

Um adversário ligado às milícias

Em tom direto e crítico, o presidente Lula afirmou que os adversário não têm compromisso com a verdade e com a inclusão social. “Você tem candidato que parece um capataz de fazenda no tempo da escravidão. Você tem candidato que nasceu no meio da milícia, participa da milícia, está metido em todas as falcatruas, desde a roubalheira na Previdência Social.”

Lula voltou a mencionar que foi seu governo que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e foi também com a presidência do Banco Central indicada por ele que o Banco Master foi liquidado. O presidente lembrou, ainda, que foi também graças às investigações conduzidas com seriedade em seu governo que toda a quadriha do INSS, que atuou livremente no governo Bolsonaro, foi descoberda. “Nós não só acabamos com a quadrilha, prendemos quase todos eles, já devolvemos dinheiro, R$ 3,5 bilhões para mais de 5 milhões de aposentados, devolvemos para todo mundo e já arrecadamos deles quase R$ 6 bilhões que a gente vai vender para ressarcir a Previdência Social”.

Caso haja qualquer comprovação de envolvimento de seu filho Fábio Luís nos escândalos, Lula também reiterou que “ele vai pagar um preço muito alto”.

A conta deixada por Bolsonaro

Sobre o suposto plano que seu adversário tem divulgado, de que vai economizar bilhões de reais, Lula cobrou uma comparação com a situação deixada por Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, foi necessário garantir recursos durante a transição, logo depois da vitória eleitoral de 2022, para manter políticas essenciais e quitar compromissos que o governo anterior não havia honrado.

“O pai dele [Jair Bolsonaro] deixou um déficit de 2.8% do PIB. Não tinha dinheiro para pagar as contas dele, fomos nós na transição que arrumamos dinheiro pro Bolsa Família, para a educação e para a saúde. O pai dele deixou um rombo de R$ 94 bilhões de precatórios que nós tivemos que pagar”, disse.

O presidente também comparou a inflação dos alimentos nos dois governos. Segundo os números apresentados por Lula, a alta foi de 56,17% na gestão anterior e de 13,6% na atual. Ele reconheceu que a comida ainda está cara e explicou que a desaceleração da inflação não significa a reversão dos aumentos acumulados anteriormente.

Lula atribuiu ao Governo Bolsonaro a formação da quadrilha que roubou os aposentados e destacou as prisões e a devolução de valores realizadas em sua gestão. Também reiterou que nenhum familiar terá proteção caso seja comprovado envolvimento em irregularidades.

Educação, trabalho e soberania

Lula afirmou que a escolha eleitoral envolve o futuro das famílias brasileiras e a capacidade do país de decidir sobre suas próprias riquezas. Ao falar de petróleo, minerais críticos e terras raras, ressaltou que o Brasil deve explorar, refinar e industrializar esses recursos, gerando desenvolvimento em território nacional.

Na educação, o presidente destacou a expansão das universidades e dos institutos federais e citou Prouni, Fies, Pé-de-Meia e ensino integral como instrumentos para ampliar oportunidades. Ao responder às distorções sobre suas declarações a respeito dos catadores de materiais recicláveis, explicou que seu objetivo é assegurar condições para que trabalhadores e seus filhos possam estudar, ter uma profissão e melhorar de vida.

“Quero que seu filho tenha uma profissão melhor do que a sua e quero que o seu filho ganhe mais do que o pai. Porque esse é o sonho de todo pai e de toda mãe”.

Lula também reafirmou o compromisso com o fim da escala 6×1, associando a redução da jornada ao direito de conviver com os filhos, participar da educação deles e dividir as tarefas domésticas. Para um novo mandato, mencionou ainda a criação de casas para cuidar de idosos e a necessidade de ampliar o enfrentamento à violência contra as mulheres.

“Não está em jogo a eleição do Lula, está em jogo o seu futuro, está em jogo o seu Brasil, aquilo que você quer pro seu país. Porque se o país for bem, seu filho vai bem; se o país for mal, seu filho vai mal”.

Redes e ruas contra a milícia

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, informou que o balanço parcial do Dia 13 já contabilizava 1.120 atividades em todo o país. Segundo ele, houve mobilizações em todos os estados, e novas informações continuavam chegando durante a transmissão. Edinho participou de uma atividade na Avenida Paulista com Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin, mesmo sob chuva forte.

“Nós sabemos que essa eleição não é só uma eleição, é a disputa de qual Brasil que nós vamos construir para as próximas décadas”, afirmou.

Edinho contrapôs a valorização do salário mínimo, o fortalecimento do SUS e a ampliação de direitos às políticas do Governo Bolsonaro. Também afirmou que a população precisa conhecer as diferenças entre os projetos e rejeitar qualquer tentativa de colocar o país sob comando de pessoas vinculadas a milícias.

“Nós não queremos ninguém que tenha vínculo com as milícias mandando no Brasil”.

Questionado sobre a orientação da campanha para a reta final, o presidente do PT pediu que a mobilização deste domingo tenha continuidade até a votação de 4 de outubro.

“Rua! Pra rua, pras redes, mobilização, conversa com o povo brasileiro, conversar muito com o povo brasileiro e mostrar a diferença dos projetos que estão em disputa. Redes e ruas, redes e ruas”, respondeu.

Além de Lula e Edinho, participaram da transmissão o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, e Ana Flávia Marques, presidente interina do Instituto Lula.

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