Das bets, dos jogos de azar, do fascismo, do nazismo e da submissão nacional
Há momentos em que uma polêmica aparentemente lateral revela algo muito maior sobre o país. A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida é um desses momentos.
Em poucos dias, o nome da Padroeira do Brasil alcançou milhões de brasileiros nas redes sociais, provocando uma das maiores ondas de repercussão política desta campanha junto com a decisão de proibir as bets. São assuntos diferentes, mas ambos nos conduzem a uma pergunta essencial: Que Brasil queremos construir?
Nossa Senhora Aparecida não faz parte apenas da fé de milhões de brasileiros, mas também da memória e da cultura do povo. O fato de ser a padroeira do Brasil não deve ser transformar em instrumento de divisão entre católicos, evangélicos e outras religiões, porque a liberdade religiosa é parte da democracia.
Mas a polêmica também nos permite olhar para além da disputa das redes. A eleição de 4 de outubro coloca diante do povo brasileiro dois projetos de país.
De um lado, Lula defende soberania nacional, democracia e direitos sociais. Em seu discurso na ONU, foi direto: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” e afirmou que não permitirá que inimigos internos ou externos atentem contra a vontade popular.
De outro, Flávio Bolsonaro e seus aliados representam um projeto político alinhado internacionalmente a Donald Trump, cuja atuação em relação ao Brasil já provocou questionamentos sobre soberania e interferência externa. Parlamentares norte-americanos chegaram a denunciar uma tentativa do governo Trump de influenciar a eleição brasileira em favor de Flávio Bolsonaro. Não se trata de negar ao Brasil relações com os Estados Unidos. Devemos dialogar com todos os países, mas uma coisa é cooperação internacional e outra é subordinação. Não podemos trocar soberania pela proteção de nenhuma potência estrangeira.
É importante lembrar que soberania não é apenas defender nossas fronteiras. É decidir sobre nossas riquezas, economia, indústria, ciência, tecnologia e direitos. E defender a democracia.
Democracia não é somente votar, é respeitar as urnas, as instituições, a liberdade de expressão e religiosa, a organização dos trabalhadores e os direitos sociais.
A proibição das bets também é uma discussão sobre o país que queremos. Não podemos aceitar que a esperança de trabalhadores e famílias seja transformada em mercadoria. A promessa de dinheiro fácil não pode substituir trabalho, educação, saúde, ciência e oportunidades. Nossa esperança não pode ser explorada.
É por isso que minha posição não é neutra. É comprometida com os trabalhadores e as trabalhadoras, com o povo brasileiro, com a soberania, a democracia e os direitos sociais — e não com uma elite que concentra riqueza, reduz direitos e aceita a subordinação dos interesses nacionais aos interesses de Washington.
Entre soberania e submissão, fico com a soberania.
Entre democracia e autoritarismo, fico com a democracia.
Entre redução e ampliação de direitos, fico com os direitos do povo.
Que Nossa Senhora Aparecida, para quem nela acredita, nos proteja de todo mal: das bets que transformam esperança em negócio; da intolerância; do autoritarismo do fascismo e do nazismo; de qualquer projeto que queira transformar o Brasil em quintal de outra potência.
Nossa esperança não é passiva. É decisão.
Por isso em 04 de outubro voto em Lula Presidente.
SP 29 de setembro 2026
FRANCISCO CHAGAS
cientista social, vice-presidente do PT Paulista, ex-deputado federal e vereador


