O Brasil não precisa de submissão, precisa de soberania
Há uma diferença brutal entre aliança estratégica e submissão covarde. Flávio Bolsonaro insiste em confundir as duas. Enquanto o Brasil precisa de um projeto nacional autônomo, o senador age como representante de interesses estrangeiros em Brasília — especificamente, os interesses geopolíticos dos Estados Unidos.
Não se trata de hostilizar os americanos. Trata-se de lembrar um fato elementar: nenhuma nação soberana entrega sua política externa como refém de outra. E é exatamente isso que Flávio Bolsonaro defende, ao importar a agenda política de Washington sem qualquer compromisso com interesses concretos do povo brasileiro.
A história da diplomacia brasileira foi escrita com pragmatismo, não com vassalagem. Sempre conversamos com todos, equilibramos polos de poder e evitamos confrontos inúteis. Flávio quer rasgar essa tradição para agradar a uma potência estrangeira. O resultado prático? Um Brasil confrontando a China — nosso maior parceiro comercial — e reduzido a peça secundária no tabuleiro de xadrez dos EUA.
A China compra nosso agro, financia nossa infraestrutura e move nossa balança comercial. Irritar Pequim por obediência automática a Washington é um ato de irresponsabilidade econômica, não de patriotismo.
O caso mais grotesco dessa subordinação é o apoio explícito de Flávio a que os EUA classifiquem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em vez de fortalecer o combate ao PCC e ao Comando Vermelho com inteligência e recursos nacionais, o senador abre a porta para ingerência estrangeira em assuntos internos. Sanções, pressões diplomáticas e perda de controle sobre nossa própria segurança pública: eis o “presente” que Flávio tenta entregar ao Brasil.
Não se combate crime organizado com entrega de soberania. Combate-se com polícia forte, Estado presente e leis rigorosas — sob comando brasileiro, não sob as ordens de Washington.
A pergunta que fica é simples: Flávio Bolsonaro é Senador do Brasil ou representante comercial dos EUA?
Os fatos respondem por ele. Sua atuação não fortalece o país — o enfraquece. Transforma o Brasil em eco submisso de uma potência que historicamente nos olhou como quintal.
Soberania não é conversa mole. É decidir por conta própria com quem se aliar, quando e como. É olhar para os EUA sem ajoelhar, e para a China sem medo. É recusar a lógica simplória de que ser aliado de um exige ser inimigo do outro.
O Brasil não precisa de vassalos. Precisa de estadistas. Flávio Bolsonaro, até agora, demonstrou servir a uma só bandeira — e não é a nossa.
SP 29 de maio 2026
FRANCISCO CHAGAS, cientista social, vice-presidente do PT Paulista, ex deputado federal e vereador


