LULA JOGA XADREZ, TRUMP JOGA BOMBAS E FLÁVIO JOGA PEDRA NA LUA, por Francisco Chagas

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Na minha terra existe um velho ditado: quando alguém perde a razão e insiste no erro, dizemos que está “jogando pedra na lua”. Não é a lua que sofre; é quem atira que revela sua impotência. A pedra nunca chega ao destino. Apenas denuncia o desespero de quem já não possui argumentos.
Donald Trump decidiu transformar a política comercial dos Estados Unidos em arma de intimidação contra o Brasil. Ao anunciar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, abandonou qualquer justificativa econômica séria e recorreu a um argumento de natureza política: afirmou que o Brasil estaria perseguindo Jair Bolsonaro. Não se trata de comércio. Trata-se de uma tentativa explícita de pressionar as instituições brasileiras e interferir na soberania nacional.
Mais grave ainda foi assistir a Flávio Bolsonaro agir como aliado dessa ofensiva. Em vez de defender os interesses do povo brasileiro, preferiu endossar um ataque que ameaça empregos, exportações, investimentos e a renda de milhões de trabalhadores. Quando um parlamentar brasileiro aplaude uma sanção estrangeira contra seu próprio país para proteger interesses familiares e eleitorais, deixa de lado o compromisso com a Nação. É exatamente aí que o velho ditado faz sentido: Flávio joga pedra na lua.
A sociedade brasileira compreendeu rapidamente o que estava em jogo. A pesquisa Genial/Quaest revelou que 72% dos brasileiros rejeitam a justificativa apresentada por Trump para o tarifaço. Mais do que isso, 79% acreditam que as medidas terão impacto negativo sobre a vida das famílias brasileiras. O povo percebeu que guerras comerciais não são travadas apenas entre governos; elas chegam ao supermercado, ao campo, à indústria e ao bolso do trabalhador.
Outro dado merece destaque. A maioria dos brasileiros considera que Trump não possui qualquer legitimidade para opinar sobre os processos envolvendo Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Essa resposta ultrapassa a polarização política. Ela reafirma um princípio elementar das relações internacionais: a independência das instituições nacionais e o respeito à soberania dos Estados.
Também fracassou a narrativa de que os Estados Unidos seriam vítimas da relação comercial com o Brasil. Os próprios números do comércio bilateral demonstram o contrário. Há anos, os norte-americanos acumulam superávits expressivos nessa relação. O discurso de Trump atende muito mais às necessidades de sua política interna do que aos fatos econômicos.
Enquanto Trump escolhe a política das bombas tarifárias, Lula responde com estratégia. Em vez da escalada verbal, fortalece a atuação diplomática, busca respaldo nos organismos multilaterais, amplia mercados para os produtos brasileiros e acelera acordos comerciais com diferentes regiões do mundo. É a diferença entre quem acredita na força da imposição e quem aposta na inteligência da negociação. Um destrói pontes; o outro constrói alternativas.
Talvez o dado mais revelador da pesquisa seja outro: 84% dos brasileiros defendem que governo e oposição deveriam atuar unidos na defesa dos interesses nacionais diante dessa agressão externa. É um chamado ao patriotismo verdadeiro. Não ao patriotismo das bandeiras agitadas em discursos vazios, mas ao compromisso concreto com a economia, o trabalho, a produção e a soberania brasileira.
A história ensina que nenhum país conquista respeito ajoelhado. As grandes nações afirmam sua independência quando colocam o interesse nacional acima das disputas partidárias e dos projetos pessoais. É exatamente esse o desafio colocado ao Brasil.
Trump joga bombas porque acredita na força da intimidação. Lula joga xadrez porque compreende que inteligência estratégica produz resultados mais duradouros do que demonstrações de força. Já Flávio Bolsonaro prefere jogar pedra na lua, não alcança o alvo, não altera a realidade e apenas expõe o desespero de quem escolheu atacar o próprio país para tentar salvar um projeto político fracassado.
A soberania não se proclama em discursos. Defende-se todos os dias, com coragem, inteligência e compromisso inegociável com o Brasil.
São Paulo, 22 de julho de 2026.
Francisco Chagas é cientista social, vice-presidente do PT Paulista, foi vereador da cidade de São Paulo e deputado federal.

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