O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou, em suas redes sociais, para os riscos de possíveis cortes e até mesmo da extinção do programa Farmácia Popular em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Em postagens na terça-feira, 6, Padilha chamou atenção para o impacto que isso terá sobre milhões de famílias brasileiras.
“Se você, seu pai, sua mãe, sua avó, seu avô, sua irmã pega um remédio de graça na Farmácia Popular, tem coisa rolando. Você precisa saber”, afirma o ministro.
Criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004, o Farmácia Popular foi retomado e ampliado pelo Governo Federal a partir de 2023. Atualmente, o programa oferece gratuitamente medicamentos e insumos para o tratamento de diversas doenças, além de fraldas geriátricas e absorventes. Desde fevereiro de 2025, os 41 itens disponíveis passaram a ser oferecidos integralmente de forma gratuita.
O alerta de Padilha se concentra nas propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro. Em seu plano de governo, de 76 páginas e 11 capítulos, não há menção nominal ao Farmácia Popular. Embora o documento apresente medidas para a área da saúde, não estabelece de forma específica a continuidade ou o futuro do programa.
Menos dinheiro para o programa, mais dinheiro saindo do seu bolso
O ministro relembra que a falta de uma garantia para o programa tem precedentes. Durante o governo de Jair Bolsonaro, parte dos medicamentos era oferecida pelo sistema de copagamento, em que o governo arcava com uma parcela do preço e o restante ficava a cargo do usuário.
“Aquele governo pagava só uma parte. O resto você tirava do seu bolso”, ressalta Padilha.
No mesmo período, o Farmácia Popular enfrentou uma previsão de redução de aproximadamente 60% no orçamento para 2023.
“Menos dinheiro no programa é igual a mais dinheiro saindo do seu bolso”, pondera o ministro.
Governo Lula contra o retrocesso
A situação mudou a partir da retomada e ampliação do programa pelo Governo Lula ainda em 2023, gerando resultados importantes. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 27 milhões de brasileiros foram atendidos pelo Farmácia Popular em 2025.
Para Padilha, a mudança representa uma economia importante para quem depende da política pública de forma contínua. De acordo com o ministro, as famílias que utilizam o Farmácia Popular economizam, em média, R$ 9 mil por ano, o equivalente a mais de R$ 700 por mês.
“Agora, o dinheiro que antes saía do seu bolso ficou dentro da sua casa”, afirma.
Entre os beneficiários estão pessoas que fazem tratamento para doenças como diabetes, asma e Parkinson, além de usuários que necessitam de fraldas geriátricas e absorventes higiênicos.
Próximo passo é ampliar programa com exames e teleconsultas
Em contraponto ao alerta sobre possíveis retrocessos, Padilha apresenta propostas de Lula de ampliar ainda mais os alcances da iniciativa. “Além de manter os medicamentos de graça, [o Farmácia Popular] vai oferecer exames, procedimentos e até teleconsulta”, afirma.
Na avaliação do ministro, a diferença entre os projetos fica evidente quando se observa o futuro do programa. Padilha alerta que, sem um compromisso explícito de continuidade, conquistas que hoje beneficiam tantas pessoas podem ser colocadas em risco.
“Nada disso está garantido. Tudo pode acabar. Se o ex-presidente [Jair] meteu a tesoura no Farmácia Popular e cortou o orçamento, o filho dele [Flávio] sequer colocou no programa de governo”, afirma.
Ao final, Padilha reforça que a discussão sobre o Farmácia Popular envolve diretamente a saúde e o orçamento das famílias brasileiras.
“Milhões de famílias que contam com esses medicamentos, com esse dinheiro, todo mês para sobreviver. Vamos sair em defesa da Farmácia Popular e do bolso das famílias brasileiras”, conclui o ministro.


