A eleição não está ganha: o que a militância precisa fazer agora, por Pedro Alem Santinho

Reprodução IA

A campanha presidencial entrou numa fase mais dura. A investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tomou o centro do noticiário, junto com editoriais alarmistas sobre as contas públicas. Não é coincidência, é deslocamento de agenda. Emprego, renda, soberania e defesa da democracia saem de cena, e entram suspeita e medo.

Investigar não é condenar

O STF autorizou a investigação sobre as alegações envolvendo Fábio Luís. A defesa dele diz que não foi formalmente comunicada e alega motivação política. Lula já foi claro: não vai proteger o filho, que deve ser tratado como qualquer outro cidadão. Reuters

Essa é a posição que precisamos manter, sem hesitar: investigação completa, direito de defesa, devido processo, nenhuma proteção indevida. Pedir arquivamento rápido seria erro político. Se não houver prova, o arquivamento tem que vir da apuração, não de pressão partidária.

A crítica que cabe a nós é outra: investigação não é condenação, parentesco não transfere responsabilidade penal, e Lula não responde automaticamente por acusação dirigida a outra pessoa.

“Lulinha” não é “Bolsonarinho”

Precisamos enfrentar com firmeza a tentativa de criar uma falsa simetria. Fábio Luís não é candidato, não tem mandato, está sendo investigado e tem direito à presunção de inocência. Flávio Bolsonaro é senador, candidato presidencial e responde por atos próprios: confirmou encontro com o banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão dele e reconheceu articulação para patrocínio privado de um filme sobre Jair Bolsonaro. Reuters, 13 de maio, Reuters, 19 de maio

O mesmo critério vale para todo mundo. Não se combate a falsa equivalência com silêncio de um lado e exploração máxima do outro.

A eleição está disputada

Achar que a reeleição está garantida é erro perigoso. Pesquisa de 3 de agosto mostrou 41% para Lula e 37% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, empate técnico. Folha de S.Paulo No segundo turno, outra pesquisa aponta 49,2% a 42,9% para Lula. Liderança não é motivo para acomodação. Reuters

A estratégia da extrema direita é clara: impedir vitória no primeiro turno, transformar a eleição em julgamento moral do presidente e esconder o próprio projeto. O objetivo não é só vencer uma eleição, é enfraquecer a democracia e eleger um Congresso hostil a direito social e trabalhista.

O que fazer agora
Ninguém está acima da lei, nem parente de presidente.
Investigação não é condenação.
Lula não responde por ato atribuído a outra pessoa.
O mesmo padrão jornalístico vale para todas as candidaturas.
A eleição compara projeto de país, não sobrenome.

Precisamos de comunicação rápida e baseada em fato, resposta objetiva a cada acusação, e voltar para a rua, o local de trabalho, a escola, o bairro. A eleição vai ser decidida na disputa diária através do diálogo com as pessoas.

Não pedimos privilégio para ninguém. Exigimos justiça para todos. Não vamos deixar suspeita sem julgamento tomar o lugar do debate sobre emprego, renda e futuro.

Lula presidente. Democracia de pé. Brasil soberano e direitos para o povo.

Pedro Alem Santinho Presidente do Diretório Zonal do PT da Lapa

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