“O que estamos fazendo é lutar pelo básico”, afirma Lucas Penteado sobre o fim da escala 6×1

Nascido na capital paulista e criado na periferia de São Paulo, Lucas Penteado, também conhecido como Koka, é um artista multifacetado: ator, cantor, poeta, MC, slammer, apresentador, diretor e dramaturgo.

Sua ligação com a cultura popular vem de berço; tataraneto de um dos fundadores da tradicional escola de samba Vai-Vai, foi na agremiação que ele deu seus primeiros passos no mundo das artes.

A trajetória política de Lucas também não é de hoje.

Em 2015, ele participou ativamente do movimento de ocupação das escolas públicas em São Paulo, tornando-se uma das vozes mais marcantes da mobilização estudantil da época.

Nesta entrevista para o site do PT São Paulo, mergulhamos na história do artista, que relembra sua caminhada e sua atuação em momentos sociais decisivos para a política brasileira recente.

A luta pelo tempo e a PEC do fim da escala 6×1

Entre os temas centrais do debate público atual, o ator posicionou-se firmemente a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso: “O que nós estamos fazendo nesse momento é lutar pelo básico, pelo tempo de qualidade. Não há como apenas trabalhar, senão iremos continuar morrendo pelas mesmas doenças — quando não são psicológicas, são físicas. Como que eu obrigo uma pessoa a trabalhar seis dias por semana? E olha que estamos falando da escala 6×1 enquanto muitos ainda trabalham todos os dias, sem nem ser registrados, ok?”, questiona o ator.

Olhando para o próprio passado, Koka reflete sobre seu amadurecimento nos últimos anos: “O tempo e as oportunidades foram forjando o Lucas que eu sou hoje. Sim, ainda sou jovem, mas muito menos inconsequente do que era quando ocupei uma escola para que ela não fechasse.”

Identidade plural no ambiente digital

Para Lucas, as redes sociais fragmentam e multiplicam as percepções sobre quem ele é, refletindo a complexidade de sua geração: “A minha geração é feita de centenas de tribos que nascem todos os dias através do digital, né? Então, se você perguntar no ambiente digital, eu posso ser o Lucas Koka das ocupações, o Lucas Koka das batalhas de rap, ou o Lucas Penteado do Big Brother, dos filmes, da TV e do cinema”, explica.

Contudo, longe das telas, Koka se define de forma ancestral. Ele se enxerga como o jovem que aceitou a missão deixada por aqueles que vieram antes dele: “Eu sou o bisneto desse homem que buscou a favela com o sonho de construir alguma coisa. O seu avô disse: ‘Desce que a gente precisa de alguém lá embaixo lutando por nós’. Eu sou o jovem que desceu.”

Arte, contestação e referências

O artista revelou que o período das ocupações escolares foi um catalisador para sua escrita, resultando em diversas canções com letras que contestam o sistema político vigente.

No entanto, ao apontar uma obra que define seu sentimento diante da realidade social, ele preferiu citar o rapper mineiro Djonga, destacando a faixa “Xápralá”:
“‘O século anterior sempre vai ser o melhor, o Djonga de ontem era melhor também, 1% a menos, o humano por dias e dias, eu vivi mais de 100…’ E tem uma hora que ele pergunta: ‘É melhor desistir ou viver humilhado?’. São coisas que passam na mente de gente que vem de onde eu venho”, desabafou.

Por Diane Costa e Elineudo Meira

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