Em um momento histórico de definição do Partido dos Trabalhadores, o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, afirmou a jovens parlamentares do quadro partidário que “não haverá um PT protagonista se não tiver uma transição geracional”. “Não será uma liderança o sucessor do Lula. O sucessor do Lula será o PT”, definiu Edinho, na abertura do 1º Encontro Nacional de Parlamentares Jovens do PT, realizado na sede do partido nos dias 16 e 17.
Na conversa com a juventude petista que ocupa mandatos de vereadores e deputados, Edinho Silva disse que, obviamente, muitas lideranças do partido surgirão e vão ocupar espaços de poder e na direção partidária: “Mas a instituição capaz de honrar o legado de Lula e de dar continuidade a ele é o Partido dos Trabalhadores”, enfatizou.
O encontro foi organizado pela secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, e pela deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), secretária-adjunta de Organização do partido. O presidente do PT disse que a organização do encontro era um sonho, agora materializado, e que deve ser o primeiro de uma série na tradição do partido.
Edinho repassou à juventude do PT a orientação do presidente Lula: ir para as periferias e escutar os jovens. O grande desafio, reiterou o presidente do PT, é falar com os jovens pobres, oprimidos, os que não circulam na “bolha” e no ecossistema petista. Somente com um diálogo ampliado com as juventudes é que o PT conseguirá se mostrar um partido de mudança e de transformação, sentenciou o presidente do PT.
Num discurso empolgado, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, disse que o PT é o partido que permite à juventude abraçar causas importantes. Ela destacou, ainda, que em seu estado, que rompeu com o poder de antigas oligarquias graças à visão do presidente Lula, são as mulheres que lideram a transição geracional na política.
“A gente sabe o que significará a derrota do projeto liderado por Lula. Hoje o nosso desafio é maior. Não é só a defesa da democracia: é lutar contra o monstro do fascismo. Lula presidente de novo! Sigamos!”, conclamou Fátima, arrancando aplausos dos jovens parlamentares.
Para o presidente da Fundação Perseu Abramo, Brenno Almeida, “o futuro do PT já começou” e está na atuação de cada um dos jovens parlamentares. “Estou vendo aqui futuros prefeitos, governadores, senadores, deputados…É disso que o PT é feito, é pra isso que estamos aqui, pra isso que estamos na luta há 46 anos e nos constituímos como a maior força política brasileira”, afirmou.
Laércio Ribeiro, secretário nacional de Organização o PT, afirmou que é preciso contar com “o espírito revolucionário da juventude brasileira” para construir um novo futuro.
Jovens parlamentares na linha frente
A participação da juventude petista foi marcada por reflexões sobre trabalho, novas formas de mobilização política e os desafios de dialogar em meio a um cenário de forte disputa de narrativas com a extrema-direita. Para lideranças jovens do partido, o momento exige atualizar o debate público sem abrir mão dos valores históricos do campo progressista.
A secretária nacional de Juventude do PT, Júlia Kopf, destacou a dimensão do encontro e a necessidade de enfrentar percepções equivocadas sobre os jovens e o mundo do trabalho. “A gente tem uma falsa sensação de que o jovem não quer trabalhar CLT e não é verdade. Temos que nos questionar qual é o tipo de CLT que tem sido oferecido, o que significa a escala 6×1 para eles”, afirmou.
Segundo ela, o encontro também fortalece a atuação política dos participantes nos territórios. “Conseguimos juntar parlamentares de 15 estados diferentes, das cinco regiões do país.Tenho certeza que os parlamentares vão voltar para os seus municípios afiadíssimos para enfrentarmos a extrema-direita e derrotar de novo o fascismo nas urnas”, disse.
Na mesma linha, a vereadora do Recife Kari Santos ressaltou que o diálogo com a juventude passa por temas concretos do cotidiano. “A juventude busca pessoas autênticas cujos valores venham de ações. Pautas como trabalho, saúde mental, redução da jornada e tarifa zero são centrais. Pesquisas indicam que os jovens buscam perspectiva e futuro através da educação e do mercado de trabalho, fugindo do trabalho precarizado que gera adoecimento”, apontou.
Para ela, disputar o espaço da Geração Z é estratégico: “O debate geracional é vital, pois o PT precisa falar com a Geração Z e futuros eleitores. Se o campo progressista não ocupar esse espaço com coragem, figuras da direita e do conservadorismo o farão”, alertou.
Luta contra o fascismo e defesa da família
Para o ex-secretário nacional de Juventude do PT Ronald Sorriso, a energia política da juventude foi determinante para derrotar o bolsonarismo nas urnas e seguirá sendo central nas próximas disputas. “Mais de 2 milhões de jovens tiraram o título de eleitor sem serem obrigados aos 16, 17 anos para votar no presidente Lula e derrotar o fascismo. E nós precisamos voltar a ser sexy, voltar a ser moda”, almejou.
O presidente do PT de Abreu e Lima (PE), Cleyton Manoel, defendeu que o partido também enfrente temas sensíveis que impactam diretamente a juventude, como violência, drogas e saúde mental. “Percebo que existem público de jovens que se identificam com o campo progressista. Fomos nós que falamos da importância de discutir a legalização das drogas que hoje está, por exemplo, sendo pautada pelo STF, e que dialoga com a questão da violência”, disse.
Já a vereadora de Maruim (SE), Linei Pereira, defendeu que temas como jornada de trabalho também dialogam diretamente com a defesa das famílias, assunto que acaba sendo mais explorado pela direita. “O PT sempre foi um defensor da família e o debate do fim da escala 6×1 precisa ser tomado pela família brasileira”.
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