São Paulo é bom. O que precisa é mudar o governador.

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São Paulo segue sendo o estado que move o Brasil. Tem povo trabalhador, economia vibrante, universidades fortes e uma tradição de inovação.
Mas hoje vive sob um governo que insiste em desmontar o que funciona, entregar o patrimônio público, elevar custos ao cidadão, militarizar a vida social e tratar a segurança pública como espetáculo.
O problema de São Paulo não é o povo.
Não é a economia.
É o governador.
A seguir, uma análise dos principais erros e riscos do governo Tarcísio de Freitas.

  1. A Privatização da Sabesp Contra o Interesse dos cidadãos: Caro e Ineficiente
    A privatização da Sabesp, vendida como “modernização”, tornou-se um dos maiores equívocos da história recente do estado.
    O resultado?
    tarifas mais altas,
    demissões,
    aumento de vazamentos,
    queda na capacidade de investimento em saneamento.
    A população paga mais e recebe menos.
    São Paulo não precisava vender sua principal empresa de saneamento; precisava de gestão pública responsável, não de submissão a fundos privados sedentos por lucro garantido.
  2. O Abuso dos Pedágios: O Estado Virou uma Máquina de Arrecadação Contra o Cidadão
    Os pedágios estão entre os mais caros do Brasil, e sob Tarcísio se tornaram ainda mais abusivos.
    As rodovias viraram corredores de cobrança, ampliando o custo de vida de quem precisa trabalhar e esfolando caminhoneiros, produtores e trabalhadores.
    Governar não é colocar catraca em cada estrada.
    É garantir mobilidade, competitividade e respeito ao bolso do cidadão.
  3. A Militarização da Educação: Um Ataque ao Pensamento Crítico
    Tarcísio tenta impor a militarização das escolas como solução, mas a realidade é outra:
    militarização não resolve evasão;
    não melhora desempenho escolar;
    não substitui professores bem-formados;
    e transforma escolas em quartéis, não em ambientes de aprendizagem.
    Ao invés de fortalecer a educação pública, o governo investe em controle, disciplina rígida e silenciamento — uma política voltada mais para moldar comportamento do que para formar cidadãos.
  4. Saúde Abandonada: Filas, Terceirizações e Desmonte Silencioso
    Enquanto foca em privatizações, o governo deixa a saúde pública deteriorar-se:
    filas crescentes,
    terceirizações descontroladas,
    UPAs sobrecarregadas,
    municípios abandonados à própria sorte.
    O estado mais rico do país merece um atendimento de saúde digno.
    O que recebe hoje é descaso administrativo e desresponsabilização do governo estadual.
  5. Segurança Pública como Espetáculo: Metralhadora, Câmera e Política do Medo
    Sob Tarcísio, a segurança virou show midiático.
    Seu secretário Derrite — conhecido pela violência na ROTA e por discursos de extermínio — transformou ações policiais em palcos de propaganda.
    O resultado é um ambiente de confrontos explosivos, operações sem inteligência, aumento da letalidade e expansão do poder das facções criminosas no estado.
    A segurança pública foi substituída pela estética da guerra. Pelo espetáculo da violência.
    E quem sofre é a população.
  6. O Relatório de Derrite: Ataque à Soberania, Desmonte da PF e Proteção ao Crime Organizado
    O relatório apresentado por Derrite na Câmara Federal ao Pl do Governo federal de combate ao Crime Organizado é um dos maiores absurdos institucionais já produzidos por um agente público.
    Primeiro, tentou retirar atribuições da Polícia Federal, sugerindo que a PF fosse subordinada, direta ou indiretamente, aos governadores — algo inconstitucional e gravíssimo.
    Isso abriria brechas para interferência política e destruiria a coordenação nacional do combate ao crime organizado.
    Depois, propôs classificar organizações criminosas brasileiras como grupos “terroristas”, importando uma agenda geopolítica alheia ao interesse nacional.
    É a mesma retórica do trumpismo para justificar intervenções, pressões diplomáticas e o cerco militar da América Latina sob o rótulo de “narco-terrorismo”.
    Ao transformar facções em “terroristas”, Derrite:
    – complica investigações,
    – distorce o marco legal,
    – enfraquece o Estado brasileiro,
    – serve à estratégia externa de Donald Trump.
    Não combate o crime — protege-o, ao criar um ambiente de instabilidade jurídica e institucional que beneficia quem opera nas sombras.
  7. O Episódio da Falsificação de Bebidas: O “Governador Coca-Cola”
    Quando confrontado com o aumento da falsificação de bebidas em São Paulo, Tarcísio reagiu com desdém, dizendo que só se preocuparia quando “adulterassem Coca-Cola”.
    A fala viralizou porque escancara o comportamento do governador:
    insensível, superficial, desconectado da gravidade dos problemas reais.
    Enquanto trabalhadores adoecem e o mercado clandestino cresce, o governador brinca com a tragédia.
    São Paulo Precisa de Gestão pública séria — Não de Submissão
    São Paulo é maior do que Tarcísio o bolsonarista de plantão.
    Maior do que o projeto privatista, autoritário e alinhado ao extremismo trumpista que hoje comanda direita brasileira.
    Precisa de um governo comprometido com:
    – o bem público,
    – a soberania nacional,
    – o fortalecimento das instituições,
    – o respeito ao cidadão,
    – e políticas de segurança baseadas em inteligência, não em propaganda.
    São Paulo não precisa se reinventar.
    Precisa mudar o governador.

São Paulo, novembro de 2025.

Francisco chagas é cientista social, vice-presidente do PT-SP, foi Vereador e Dep. Federal por São Paulo

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