Novo líder do PT na Câmara, Alessandro Guedes fala sobre desafios do mandato e CPI das Enchentes

Foto: Elineudo Meira

O Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo entrevistou, nesta semana, o novo líder da bancada do partido na Câmara Municipal, o vereador Alessandro Guedes. Eleito para a função no início de fevereiro, Guedes falou sobre sua trajetória pessoal, os desafios políticos de 2026 e o trabalho à frente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Enchentes.

Nascido e criado em Itaquera, na Zona Leste da capital, Alessandro Guedes, de 45 anos, é casado com Suzana e tem dois filhos Eduardo e Alexandre e tem uma história marcada pela luta por moradia e inclusão social. Filho de mãe solteira, criado em uma ocupação em área do CDHU, ele vivenciou desde cedo os impactos da desigualdade social. Sua família chegou a enfrentar reintegração de posse, e foi nesse contexto que iniciou sua participação política.

“Minha mãe criou cinco filhos sozinha. Quando a associação do bairro começou a lutar pelo direito à moradia, eu era quem representava a família nas assembleias”, relembra.

Filiado ao PT desde os 18 anos, Guedes teve sua formação política influenciada por professores e lideranças comunitárias. Ainda jovem, passou a frequentar o diretório zonal de Itaquera e se engajou nos debates sobre direitos sociais e participação popular. Aos 19 anos, tornou-se delegado do Conselho Participativo durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, contribuindo para a construção de um Centro Educacional Unificado (CEU) no Jardim Vila Nova, em A.E. Carvalho.

Atualmente, também integra o coletivo Casa Rosada, voltado ao trabalho de base nos territórios.

Desafios à frente da bancada

Para Alessandro Guedes, assumir a liderança da bancada petista é motivo de orgulho e responsabilidade. “Para um menino que saiu da comunidade e teve a casa derrubada por um trator, se tornar vereador e líder da bancada é algo improvável. Isso representa muito para mim”, afirma.

Com 26 anos de filiação ao partido, ele destaca a importância do PT na defesa da inclusão social e dos direitos da população mais vulnerável. Segundo o vereador, a bancada exerce uma oposição responsável na Câmara.

“Nós não fazemos oposição para o governo dar errado. Fazemos para que as políticas públicas deem certo e beneficiem a cidade”, explica.

Em ano eleitoral, Guedes também ressalta o histórico de gestões petistas em São Paulo, citando os governos de Marta Suplicy, Fernando Haddad e Luiza Erundina como exemplos de políticas públicas voltadas à população.

“O PT governa para todos. Governa pensando no povo, sem excluir ninguém, garantindo direitos e oportunidades”, reforça.

CPI das Enchentes e a situação do Jardim Pantanal

Outro tema central da entrevista foi a CPI das Enchentes, presidida por Alessandro Guedes, que investiga os alagamentos recorrentes na região do Jardim Pantanal, na Zona Leste. Segundo ele, o problema se arrasta há décadas e envolve responsabilidades do município, do Estado e de órgãos ambientais.

“A população pobre sofre todos os anos com as enchentes, enquanto há um emaranhado de burocracias que dificulta a solução”, afirma.

De acordo com o vereador, as mudanças climáticas intensificaram os impactos das chuvas, tornando a situação ainda mais grave. Ele destaca que, mesmo com um orçamento municipal superior a R$ 135 bilhões, ainda falta prioridade para resolver o problema.

Entre as propostas apontadas pela CPI está a recuperação de uma antiga cava de mineração, criada na década de 1970, que hoje funciona como uma grande lagoa abandonada. A área poderia ser transformada em um piscinão natural para retenção de águas das chuvas.

A proposta se inspira na experiência da gestão Marta Suplicy, que transformou a Pedreira Vicente Mateus, em Guaianases, em um reservatório para controle de enchentes.

“Hoje, aquela região não sofre mais com alagamentos. A pedreira funciona como piscinão: quando chove, armazena a água, e depois ela é escoada”, explica.

Segundo Guedes, a cava do Jardim Pantanal tem capacidade para armazenar mais de 9 milhões de metros cúbicos de água, o que ajudaria a reduzir os impactos das cheias do Rio Tietê e de seus afluentes.

Além disso, ele alerta que parte dos alagamentos ocorre quando barragens localizadas na cabeceira do rio precisam ser abertas, fazendo com que a água transborde e atinja moradores que não têm relação com o problema.

Moradia digna e responsabilidade social

O vereador defende que as soluções respeitem os vínculos das famílias com o território. Para ele, é preciso investir em obras que permitam a permanência de quem pode continuar na região e garantir reassentamento digno para quem precisar ser removido.

“Não é só tirar as pessoas de lá. É preciso oferecer moradia adequada, infraestrutura e respeito à história dessas famílias”, afirma.

A CPI também identificou que parte do terreno da cava pertence ao antigo DAEE, órgão do governo estadual, adquirido por mais de R$ 20 milhões. Segundo Guedes, representantes do órgão informaram não saber exatamente a finalidade da área, o que reforça, na avaliação do vereador, a falta de planejamento.

Compromisso com a população

Ao final da entrevista, Alessandro Guedes reforçou que sua atuação como líder da bancada e presidente da CPI está voltada à construção de soluções concretas para os problemas da cidade.

“São Paulo tem recursos. O que falta é vontade política. Nosso compromisso é lutar para que esses recursos cheguem a quem mais precisa”, conclui.

Redação: Diane Costa – PT São Paulo

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