Edinho: “Anistia hoje seria um ato contra o Brasil, contra a nossa democracia”

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O presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Na conversa, que foi ao ar nesta quarta-feira (17), Edinho rechaçou o perdão a Jair Bolsonaro e a outros radicais de direita pela tentativa de golpe de Estado.

“Nós temos espaço para dialogar, para formar maioria e tentar impor uma derrota à anistia. Sou ainda daqueles que defendem que a gente leve o diálogo ao máximo e construa as condições para derrotar a anistia, porque a anistia hoje seria um ato contra o Brasil, contra a nossa democracia, contra as nossas instituições”, argumentou Edinho.

Apesar da condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de cadeia, em julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do PT percebe o fascismo ainda muito presente no Brasil. Nas palavras dele, “é maior que o Bolsonaro”.

“O Bolsonaro é uma expressão do pensamento fascista, como o Trump é uma expressão do pensamento fascista”, compara. “O fato de ele não disputar a eleição não significa que nós derrotamos esse pensamento fascista no Brasil.”

Em seguida, mas sem mencionar nomes, Edinho aproveitou para lançar luz sobre quais seriam os integrantes do fascismo além do clã Bolsonaro, como é o caso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e afirmou que a população sabe distinguir os sectários.

“Mas é só você olhar a política nacional: quem faz discurso contra os direitos das mulheres, dos negros, desrespeita os direitos dos homossexuais, quem é que faz discurso de demissão de pessoas que pensam diferente e quem é que faz discurso de defesa de interesses do Trump contra os interesses brasileiros. Penso que consegue caracterizar”, apontou.

Não à toa, na terça (16), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste a respeito das articulações políticas feitas por Tarcísio em prol da anistia.

Lula 2026

À Folha, Edinho também tratou da divulgação das novas propagandas do PT. Elas não deverão ter o governador de SP como alvo, ao contrário do que se sucedeu no programa estadual.

“Não é inteligente o PT valorizar um interlocutor que prioriza a defesa dos interesses americanos. É inteligente defender a soberania nacional e as ações do governo Lula. Escolher um interlocutor nessa altura do momento que nós estamos vivendo, na minha avaliação, é pouco inteligente”, explicou.

Na esteira da reeleição do presidente Lula em 2026, Edinho propôs o fortalecimento do campo democrático, “diante do risco que nós estamos vivendo, de termos avanço autoritários, avanços não democráticos e avanços incisivos do pensamento fascista, como ocorre no mundo”.

Sobre as emendas parlamentares, que têm produzido tensões entre Legislativo, Executivo e Judiciário, o presidente do PT falou em se alcançar uma saída política.

“Estamos vivendo num sistema totalmente contraditório com aquilo que decidiu a Constituição de 1988, num processo de esvaziamento do presidencialismo. Porque quando o Congresso executa R$ 52 bilhões em emendas, o presidencialismo está esvaziado”, descreveu.

Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo

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