Covid-19: 6 anos de uma tragédia que o Brasil não esquece

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Há exatos seis anos, o Brasil via sua primeira vítima da pandemia de Covid-19 no país, a diarista Rosana Aparecida Urbano, de 57 anos. Um dia antes, em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava que o mundo enfrentava uma pandemia. O que muitos achavam que seria uma reclusão de duas semanas nas próprias casas tornou-se um marco da história nacional. 

Até o dia 8 de setembro de 2025, o Brasil registrou um total acumulado de 39.318.227 casos confirmados e 716.626 mortes. Os dados, do portal online do Centro de Inteligência Estratégica para a Gestão do SUS (Cieges), mostram com evidências o descaso do governo de Jair Bolsonaro nos primeiros três anos de enfrentamento ao Covid-19. Os valores, acima das proporções mundiais, são consequências de decisões políticas e discursos negacionistas da alta cúpula federal, como o negacionismo da ciência e o desprezo da vacina, iniciada o tardiamente e sob pressão. 

Estima-se que mais de 500 mil vidas poderiam ter sido salvas se, desde o início dos casos, o governo se aliasse à ciência de forma efetiva. Sob a gestão anterior, o Brasil teve a 16ª pior taxa de mortalidade do mundo entre nações com mais de 1 milhão de habitantes. Contemplando aproximadamente 2,7% da população mundial, o país foi responsável por cerca de 10% das mortes globais por Covid-19. Outros Estados mais populosos demonstraram eficiência superior na contenção do patógeno, o que reforça que o desastre não foi fruto da casualidade.

As falhas do governo Bolsonaro

O colapso sanitário é lido não como fatalidade, mas como fruto de deliberações governamentais. Enquanto a comunidade científica global buscava soluções, o então presidente Jair Bolsonaro foi acusado de patrocinar aglomerações e atrasar deliberadamente a compra de vacinas. 

Esse discurso foi amplificado por seus filhos, que disseminaram desinformação e negacionismo. O site do Partido dos Trabalhadores (PT), ao longo dos últimos anos, seguiu denunciando as ações do ex-presidente.

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Caracterizando como “maricas” àqueles que choravam a perda de parentes até menosprezando a doença como uma “gripezinha” e insinuando que, ao tomar a vacina da Covid-19, pessoas se tornariam “jacarés”, Bolsonaro não escondeu seus pensamentos sobre esse período. O discurso manteve-se, inclusive, no momento mais crítico da pandemia no Brasil: o ano de 2021, onde mais de 420 mil pessoas faleceram em decorrência do vírus. 

Essa discrepância entre a estatística e as preocupações e ideais propagados por representantes do governo que serviram de combustível para que o Poder Legislativo buscasse a responsabilização direta dos gestores. No mesmo ano, o Senado Federal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar omissões e irregularidades nas ações do governo diante da pandemia.

O relatório da CPI concluiu que Bolsonaro cometeu nove crimes entre os quais charlatanismo, prevaricação, infração a medidas sanitárias e epidemia com resultado morte – solicitando que ele fosse indiciado por tais ações.  Outras 77 pessoas físicas e duas pessoas jurídicas foram acusadas pela CPI, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), que foi ministro da Saúde durante a pandemia.  

O relatório da CPI, que possui 1.288 páginas, chegou a ser entregue em mãos à Procuradoria Geral da República (PGR) na gestão de Augusto Aras, mas as apurações foram inicialmente travadas por alegações de “deficiências” de provas no documento. 

Em setembro de 2025, porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito pela PF para investigar as conclusões do relatório final da CPI sobre a pandemia do Covid-19.  Atualmente, o processo no STF segue em sigilo, buscando dar uma resposta definitiva sobre as suspeitas de fraudes na compra de vacinas e a leniência governamental que mancharam a história do país.

Neste ciclo de seis anos, o Brasil equilibra-se entre o alívio de um cenário epidemiológico mais brando e a urgência de uma resposta definitiva da justiça. Com apurações ativas sobre um governo anterior negligente, fica a dúvida: a impunidade prevalecerá sobre a tragédia que manchou nossa história, ou o país finalmente verá a responsabilização de quem tratou a vida do povo com tamanho desdém?

Da Rede PT de Comunicação.

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