Terras Raras: o Calcanhar de Aquiles dos EUA e a Oportunidade
Estratégica do Brasil
“Não podemos ser um país que exporta minérios para comprar chip”
Lula – no anúncio do Plano de Investimento em Ciência e Tecnologia – 06/2023
O poder invisível das terras raras
As chamadas terras raras — um grupo de 17 elementos essenciais à tecnologia moderna — são a base de quas3e tudo: de celulares a mísseis, de carros elétricos a satélites.3
Sem neodímio, lantânio ou disprósio, não há caças F-35, radares, drones ou sistemas de defesa avançados.
A China dom3ina entre 70% e 80% da produção global e praticamente 100% do refino e da fabricação de ímãs permanentes, usados em motores e equipamentos de precisão.
Quando Pequim restringe exportações, o efeito é imediato: fábricas de semicondutores, montadoras e o complexo militar americano sentem o impacto. e o Brasil ganha espaço na geopolítica e na geoeconomia global.
Dependência que ameaça a hegemonia militar
Os Estados Unidos, que alimentam e financiam diversos conflitos pelo mundo, descobriram que dependem do rival para manter sua máquina de guerra.
O Pentágono e gigantes como Lockheed Martin e Raytheon dependem das terras raras chinesas para fabricar mísseis e caças.
Com as novas restrições de exportação impostas por Pequim, os custos disparam e as linhas de produção atrasam.
O poder de fogo americano não desaparece, mas revela sua fragilidade estrutural — um verdadeiro calcanhar de Aquiles da maior potência militar do planeta. Foi por isso que Trump anunciou mais 100% de taxação sobre a China.
O Brasil no centro do tabuleiro
Enquanto as potências disputam acesso a esses minerais estratégicos, o Brasil emerge como jogador-chave.
O país detém cerca de 20% das reservas conhecidas do mundo, com grandes depósitos em Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Projetos como o Serra Verde, já em produção, e o MagBras, que planeja fabricar ímãs permanentes até 2027, são sinais de que o Brasil pode sair da condição de exportador bruto e se tornar protagonista tecnológico.
Com política industrial e visão de longo prazo, o país pode fornecer os elementos essenciais à tecnologia moderna a diversas nações, atrair investimentos e fortalecer sua soberania energética e militar.
Uma cooperação estratégica com a China, voltada para refino e transferência tecnológica, pode acelerar o desenvolvimento brasileiro.
Em vez de exportar minério, o Brasil pode produzir tecnologia mineral, gerando empregos e autonomia industrial.
Com governança, sustentabilidade e política de Estado, o país pode negociar de igual para igual com as duas maiores potências EUA e CHINA e consolidar seu papel na nova ordem geoeconômica.
Trump, a estridência e o cálculo político
Mesmo conhecido por sua retórica agressiva, Donald Trump reduziu o tom contra o Brasil.
O motivo é simples: Washington não quer afastar um país que pode ajudar a equilibrar o poder da China no mercado de minerais críticos.
Atacar o Brasil seria empurrá-lo ainda mais para a esfera de influência chinesa — algo que os EUA tentam evitar.
O novo mapa do poder
O século XXI será decidido não apenas por armas, mas por cadeias produtivas e domínio tecnológico.
A China entendeu isso primeiro. Os EUA agora tentam recuperar o atraso.
O Brasil tem diante de si uma oportunidade histórica: transformar recursos minerais em poder nacional, com soberania e valor agregado.
Se houver estratégia política de nação, compromisso com o desenvolvimento social/nacional e coordenação efetiva de estado, as terras raras podem ser a base de um novo projeto de desenvolvimento e influência global — em vez de mais uma oportunidade perdida
São Paulo, OUT/2025
Francisco Chagas é cientista social, vice-presidente do PT Paulista, foi Vereador e Deputado Federal pelo PT, escreve sobre soberania, geoeconomia e desenvolvimento nacional


