O pronunciamento de Lula, em rede nacional, ontem, quinta-feira (17.07.2025) foi certeiro e tocou no coração do problema desta guerra tarifária que Donald Trump desencadeou contra o Brasil, isto é, trata-se de um pretexto para interferir em assuntos internos e, portanto, agride a soberania nacional de nosso país, quando usa de chantagem econômica para reivindicar no campo político a anistia à Bolsonaro.
Lula deixou claro que tal chantagem é inaceitável e que embora o Brasil estivesse aberto ao diálogo para negociar os termos da taxação, Donald Trump não cedeu e, inclusive, além dele promover a chantagem econômica veiculou informações falsas sobre as relações comerciais entre o Brasil e Estados Unidos acabando, assim, por configurar grave ameaça às instituições nacionais brasileiras.
Antes deste pronunciamento Lula já havia colocado Donald Trump em seu devido lugar, quando, em fevereiro, havia denunciado a postura deste: de se colocar como presidente do mundo, apesar de Trump ter sido eleito para presidir os Estados Unidos.
Ainda em fevereiro, Lula mencionou as diversas ameaças de Donald Trump ao redor do planeta, como por exemplo: ocupar o canal do Panamá, ocupar a Groelândia, anexar o Canadá e ocupar a Faixa de Gaza tratando de forma desrespeitosa o povo palestino.
Com isso, a ameaça ao Brasil é mais um episódio desta conduta autoritária de Donald Trump, que em seu delírio megalomaníaco acredita ser o xerife do mundo e que a ele todos devem estar subordinados.
Aliás, Donald Trump, pretenso xerife do mundo e imperador do planeta, mal-humorado de carteirinha, presidente ranzinza e republicano emburrado, nunca sorri.Sempre apresenta-se carrancudo, com feição séria, sinistra,sombria.
Faz parte daquela safra de políticos da extrema-direita que sempre se mostram sisudos e que buscam impor respeito pela seriedade de sua expressão.Uma expressão imóvel, metafísica, intimidadora, terrível.
E todo este teatro para a encenação de um caráter que aparente ser: firme,forte, inabalável; tudo isto “seria cômico se não fosse trágico” ?
Mas, é,sim,um tanto quanto risível toda esta postura dominadora de Donald Trump. Afinal, quem, hoje, em pleno século XXI, aceitaria ser capacho de alguém?(afirmo: a ideia de insubmissão,hoje, embora não seja universal é, porém, generalizada).
Quem, hoje, em pleno século XXI, se sujeitaria a ser subserviente, quando – e isto Lula compreendeu como ninguém – o conceito mesmo de autoridade atualmente requer a habilidade para dialogar com diversos pontos de vista e acomodá-los na perspectiva de um consenso construído multilateralmente, onde concessões mútuas são inevitáveis para a manutenção de um projeto maior e que beneficie todas as partes envolvidas neste ideal comum.
Com efeito, a prática de governança de Donald Trump e, portanto, da extrema-direita mostra-se em descompasso com esta necessidade do mundo, de modo que, ao atualizarmos a expressão “seria cômico se nao fosse trágico” torna-se a um só tempo hilário e trágico ( mas, com a predominância do cômico), todo este rompante de homens “de pulso” que querem governar e fazer as coisas acontecerem na marra.
Acontece que a humanidade já evoluiu o suficiente para causar estranheza geral, estes tons de ameaça e esta rispidez reiterada.
Se não fosse o perigo que deriva destas atitudes autoritárias ridículas, destes chiliques dominadores, enfim, desta patifaria patética neocolonialista, se não fosse o risco que isto ainda implica, desataríamos em riso despreocupado, porém, se por um lado, devemos rir (porque, de fato, é hilária toda esta áurea de seriedade autoritária dos dominadores), mas ainda vamos rir com prudência porque, por outro lado, é um tanto quanto sério, trágico, quando ainda nos deparamos com estas figuras aristocráticas que ainda são eleitas para governar(e governam de uma forma inaceitável mesmo em outra época quando,ali, a insubmissão não era generalizada, mas de qualquer forma, já existia).
Daí porque, o pronunciamento insubmisso de Lula, patriótico, em defesa da soberania nacional ( e que representa o sentimento de toda uma nação), mostra-se poderoso e justo diante do absurdo que consiste em termos nossa soberania questionada por Donald Trump; nos faz isto, no entanto, rir, porque fica evidenciado, o quanto é cômico que um estrangeiro queira ditar a tratativa que as instituições de nosso país deve dar a seus trágicos assuntos internos.
Por isso, chamo a atenção para que, muitas vezes, comédia e tragédia, não estão apartadas, mas andam de mãos dadas e que, em geral, o riso é mais poderoso do que o terror
Em poucas palavras: Diante de um estadista como Lula (que expôs a tragédia do tarifaço para o mundo), Donald Trump, tornou-se, enfim, uma piada.
Charles Gentil
Presidente do Diretório Zonal PT do Centro


