“FAKE NEWS” NA DITADURA MILITAR

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Muito se comenta, que nos dias de hoje, com a internet e as redes sociais, devemos ter cautela e discernimento ao ler uma publicação, assistir a um vídeo que circula pelas redes. Acreditar ou não, no que está sendo divulgado?


Mas, e antes da internet, na era dos jornais, revistas, rádio e noticiários na TV? Tudo era legítimo, verdadeiro?


Não! A burguesia sempre se utilizou da divulgação de mentiras e das distorções dos fatos contra os movimentos sociais, contra os sindicatos, contra o PT. Para ficar em alguns poucos exemplos, recordemos. O sequestro do empresário Abilio Diniz por supostos guerrilheiros estrangeiros, às vésperas das eleições de 1989, quando a grande imprensa tentou associar o caso ao nosso partido, participando da farsa ao divulgar fotos com material de campanha e os presos com a camiseta do PT; a divulgação do debate editado, entre Lula x Collor; as notícias falsas sobre a Lava-Jato, nos incriminando e nos condenando.


Anteriormente, ainda no período da ditadura, o caso mais emblemático. Trata-se do “suicídio” de Wladimir Herzog (Wlado, como era conhecido), diretor de jornalismo da TV Cultura, nas dependências do DOI-CODI, na capital paulista, em 25 de outubro de 1975.
Poucos dias antes da sua morte, em 9 de outubro, os deputados Wadih Helu e José Maria Marin, fazem forte discurso na ALESP, cobrando providências para a apuração de denuncias contra a “comunização” da TV Cultura, de infiltração de elementos subversivos. Era o apito de cachorro para que providências fossem tomadas. Dias depois, Wlado é intimado a depor no DOI-CODI, então, sob o comando do delegado Fleury. No dia 25 de outubro, espontaneamente, ele comparece para prestar esclarecimentos e ainda no mesmo dia, a polícia divulga que Wlado havia se suicidado.


Wlado fora assassinado sob tortura. Os agentes da repressão montam o cenário para justificar que ele havia se enforcado. Uma cena grotesca, como mostra a foto. Ele encontrava-se amarrado pelo pescoço à uma janela menor que a sua altura.

Vem a reação inesperada pela ditadura. Familiares e colegas denunciam o crime, negam-se a aceitar a versão oficial. Dias depois líderes religiosos, rabino Henry Sobel, cardeal D. Paulo Evaristo Arns e o reverendo James Wright da igreja presbiteriana realizam um ato ecumênico na Catedral da Sé, reunindo cerca de 8000 pessoas, vigiados por militares fortemente armados. Depois de muito tempo, a sociedade se colocava contra o regime. Esse ato influenciaria o processo de abertura nos anos seguintes. Era o início do fim da ditadura, que ainda demoraria mais alguns anos.


Neste próximo sábado, dia 25, completará 50 anos da morte de Wladimir Herzog. Convido os companheiros e companheiras a participarem da CAMINHADA POR WLADO, até a Praça da Sé, onde haverá um ato ecumênico. O ponto de encontro será no Sindicato dos Jornalistas, no auditório Wladimir Herzog, Rua Rego Freitas, 5301, sobreloja, próximo a Estação Republica do Metrô.

​ É importante a presença massiva, pois não podemos deixar cair no esquecimento esse e outros fatos. É isso, assim como a punição para os torturadores, que nos ajudará a evitar novos golpes, como o 8 de janeiro de 2023.​

Foto: Silvaldo Leung Vieira

Osvaldo Schiavinato
Coord. Setorial Municipal de Direitos Humanos do PT

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