Atualmente, as guerras locais têm promovido a carnificina de civis porque, longe do prestígio e autoridade que a Organização das Nações Unidas gozava, em 1945, pós-Segunda Guerra Mundial, quando foi fundada, ao contrário, hoje, porém, a autoridade da ONU para arbitrar conflitos é deliberadamente neglicenciada.
Tanto é assim que, as operações militares de agressão armada, entre os países beligerantes, e em nítido atentado aos parâmetros definidos pelo Direito Internacional, acontece em plena luz do dia, o que por si só, demonstra que a ONU tornou-se um órgão internacional inoperante diante de um mundo cujas guerras crescem numa escalada vertiginosa e não encontram mais regras, que imponham limites para o exercício bruto da força como foi o caso, por exemplo, do ataque, no Irã, a uma escola primária e, portanto, tendo como alvo civis e mais especificamente: crianças!!!
No dia 28 de Fevereiro, no primeiro dia do ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, uma escola primária iraniana foi atingida, o que resultou em aproximadamente 175 mortes, das quais morreram, majoritariamente ( meu Deus!!!), crianças!!!.
Apesar de Donald Trump acusar, via imprensa americana, o Irã pelo uso do míssil Tomahawk empregado no bombardeio à escola, o fato é que, no conflito, conforme órgãos de imprensa norte-americanos, apenas os Estados Unidos fazem uso desse armamento, o que mais uma vez evidencia, que embora não seja oficialmente reconhecido, o fato é que nas guerras locais mais recentes, o ataque a alvos civis tem se tornado uma prática comum.
A guerra da Rússia contra a Ucrânia exibiu esse mesmo método de agressão, onde não há mais a exclusividade de ataque a alvos militares, mas a extensão dos bombardeios incidem sobre toda a população do país agredido.
Com isso, áreas residenciais, estruturas hospitalares e, agora, na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, até escolas são alvejadas.
E ainda que um discurso com viés técnico seja criado buscando explicar que o terreno da escola já havia pertencido a base naval utilizada, hoje, pela Guarda Revolucionária do Irã e, portanto, o ataque à escola ( supostamente executado pelos Estados Unidos) ocorreu porque a operação de bombardeio se deu com dados desatualizados, o que significa dizer que, o terreno pertencente à escola estava identificado como ainda pertencendo à base naval.
No entanto,é absolutamente inaceitável, pelos riscos implicados, que um ataque com míssil seja lançado nas proximidades de locais com concentração de população civil, ainda que estejam atualizados (ou não), os dados para direcionar os bombardeios.
Daí porque, quer esta prática de agressão a alvos civis ocorra intencionalmente ou não ( e ainda que seja por desleixo ou eventual falha de averiguação militar do teatro de operações), o fato por si só, demonstra que a segurança dos civis não é, atualmente, prioridade nem dos Estados Unidos e Israel, nem da Rússia por exemplo, e cujo massacre de civis são justificados apenas para minimizar, junto à opinião pública, o impacto dos crimes executados (e,aqui, é preciso lembrar: crimes esses que não deixaram de ser cometidos, ainda que,posteriormente,bem ou mal, justificados).
O fato é que o bombardeio de uma escola – da perspectiva do Direito Internacional – é um crime de guerra.E crimes de guerra tem sido naturalizados, se tornado algo normal nos conflitos bélicos mais recentes.
E a normalização de práticas de extermínio, de eliminação física de civis na guerra entre países é uma atrocidade que fere o Direito Internacional porque, mesmo em uma guerra deve ser imposto um limite, uma regra, um protocolo.E esse limite consiste em não fazer de civis alvo durante o conflito bélico em curso.
Na guerra da Rússia contra a Ucrânia.Na Faixa de Gaza e, agora, no Irã, a guerra descambou para o vale tudo; os alvos civis tornaram-se componente fundamental da tática de guerra, o que é inaceitável, uma vez que, trata-se do emprego irresponsável da força e a ultrapassagem deliberada de um limite cuja transgressão é uma prática manifestamente ilegal.
Inclusive, a conduta de Donald Trump, de interferir na soberania dos povos, é da perspectiva deste mesmo Direito Internacional, uma postura reprovável e passível de sanções, já que gera instabilidade entre os povos e insegurança jurídica permanente, contrariando, assim, os propósitos de bom convívio entre os povos, para o cumprimento da promessa de uma paz duradoura.
Neste caso, a pretensão de anexar a Groelândia é um exemplo bastante contundente da afronta a legalidade que regula a interação entre os povos.Mas, não só.O sequestro e deposição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também exemplifica outra prática autoritária de Donald Trump, que pelo uso da força, invadiu o território venezuelano visando estabelecer controle sobre suas reservas de petróleo.
Assim, quando Donald Trump pretende ditar quem será o governante deste ou daquele país, uma vez que, retirar ou colocar governantes tem como objetivo atender, exclusivamente, os interesses dos Estados Unidos, fere, com isso, o princípio de soberania dos povos e, consequentemente, as normas que regulam as relações da manutenção da amizade entre as nações com o propósito de unir os povos em direção à construção de uma paz perene.
Donald Trump, tem prestado um desserviço ao planeta.O poder que possui tem sido colocado em curso para gerar impasses, tensões e conflitos normalizando a violência e mortes daí decorrentes ferindo, de forma recorrente, o Direito Internacional.
Não há como esquecer aquelas crianças, que no Irã, foram mortas, quando, simplesmente, deveriam estar, na escola, aprendendo.
Não há como esquecer aquelas crianças iranianas, que a guerra impediu para sempre de brincarem no convívio umas das outras.
Não há como esquecer aquelas crianças iranianas, vítimas de adultos, e cujo desentendimento armado, eternamente apagou a presença delas do aconchego familiar.
São elas, aquelas crianças, que denunciam, ao mundo, toda a estupidez e brutalidade da guerra que Donald Trump faz no planeta, com o propósito de saquear os povos, à caça de petróleo e outros recursos naturais.
Em nome daquelas crianças iranianas que foram sacrificadas, na escola, no mais flagrante desacato à lei.
Em nome das crianças da Faixa de Gaza e das crianças ucranianas, que também foram martirizadas e mortas no curso de outras guerras.
São tantas guerras e tantas violações do Direito Internacional…
Em nome das crianças para que, um dia, elas tenham o direito de serem adultas.
Em nome dos pequenino(a)s, do mundo, o mundo civilizado já clama:
Paz !!!
Paz !!!
Paz !!!
Paz, entre os povos.
Charles Gentil
Secretário de Finanças, PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro, PED 2019


