A Conferência das Partes, COP, órgão supremo dos países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que se reúne anualmente, e em sua 30ª edição, designada como COP 30, que ocorrerá de 10 a 21 de Novembro no coração da Amazônia, em Belém, estado do Pará, traz a esperança de que os países juntos, irmanados, possam superar o desafio posto das mudanças climáticas e suas consequências destrutivas, que são os eventos climáticos extremos.
Em seu discurso, na abertura da COP 30, Lula, logo após os cumprimentos formais às autoridades, a valorização do povo do Pará, inclusive, com referência convidativa à sua culinária e o reconhecimento do empenho dos organizadores em aceitar o desafio de promover a COP 30 na Amazônia, Lula, em seguida, e já no início, antecedido apenas pelas referidas preliminares, atinge o ponto central da questão, ou seja, o combate às mudanças climáticas é uma questão de manejo correto do orçamento.
Lula afirma “(…)essa lição de civilidade, essa lição de grandeza humana provando que se os homens que fazem guerra tivessem,aqui,nesta COP, eles iriam perceber que é muito mais barato colocar US$ 1,3 (1 trilhão e 300 bilhões de dólares) para a gente acabar com os problemas climáticos, do que colocar US$ 2,7 (dois trilhões e 700 bilhões de dólares) para fazer guerra como fizeram o ano passado” sendo, então, Lula, ovacionado, entusiasticamente, pela plateia.
Aliás, de acordo com o Banco de Dados de Gastos Militares do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo – SIPRI, em 2024, houve, comparado a 2023, um aumento de 9,4% das despesas militares, evidenciando, assim, também um gasto anual maior desde o fim da Guerra Fria, montante este sob a liderança dos Estados Unidos e respectivamente: China, Rússia, Alemanha e Índia.
Um volume robusto de recursos financeiros que, na verdade, deveriam ser alocados para combater as mudanças climáticas e, no entanto, estão destinados a promover, via militar, a destruição de outros povos.
E isto expõe – conforme Lula observou – a falta de civilidade e grandeza humana, diante de eventos climáticos mundiais extremos, que consistem em “uma tragédia do presente”, a exemplo do “furacão Elisa que fustigou o Caribe e o tornado que atingiu o Estado do Paraná, no Sul do Brasil” deixando “vitimas fatais e um rastro de destruições”, bem como as “secas e incêndio na África e na Europa, às enchentes na América do Sul e Sudeste Asiático, o aumento da temperatura global espalha dor e sofrimento, especialmente, entre as populações mais vulneráveis “.
Neste sentido, ao invés de dispender o orçamento com gastos militares, os líderes mundiais foram convocados por Lula, a cuidarem de suas populações, uma vez que, outros eventos climáticos extremos poderão assolar o planeta, se não houver um investimento conjunto dos países, a fim de cooperarem, financeiramente, para, de forma planejada e integrada, reverter-se as mudanças climáticas em curso, que exigem, no entanto, compromissos firmados de longo prazo.
Daí porque, Lula em seu discurso referiu que “Sem o Acordo de Paris o mundo estaria fadado ao aquecimento catastrófico de quase 5 graus até o fim do século.
Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada.No ritmo atual ainda avançamos rumo ao aumento superior a 1,5 graus na temperatura global”.
Portanto, embora o Acordo de Paris tenho sido importante para a redução da temperatura global pactuando, entre os países, uma cooperação que implicou na redução de 3,5 graus ( dos 5 graus estimado), o que, no entanto, ainda é insuficiente – como bem observa Lula – , uma vez que, o ritmo adotado nesta redução da temperatura implica ainda, em manter-se no mesmo período, no perigoso limite de 1,5 graus de aumento da temperatura global, o que requer, então, maior esforço para aumentar, até o fim do século, o ritmo de diminuição deste limite perigoso de 1,5 graus, que podem ocasionar novas emergências climáticas ou eventos climáticos extremos.
Daí porque, Lula, foi novamente aplaudido em seu discurso, quando salientou que:
“A COP 30 será a COP da Verdade. Na era da desinformação os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo; eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo; atacam as instituições,as ciências e as universidades; é momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”.
Isto porque, para a proteção de toda a humanidade, 1,5 graus de aumento de temperatura é um limite perigosíssimo e que precisa ser enfrentado com mais empenho e em ritmo mais intenso e promissor, e apesar das inverdades e ódio dos obscurantistas, negacionistas, estes – digo – autoritários, a que Lula conclama impor uma nova derrota ao alertar, que chegou-se a um limite insustentável de temperatura global, ao qual,categoricamente, Lula, afirma:
“romper essa barreira é um risco que não podemos correr”.
E há, de fato, muito orçamento global disponível para que não se corra esse risco; basta – relembremos – redirecionar este montante, desinvestir em armamentos e alocar estes recursos financeiros para a preservação da natureza e da espécie humana.
Charles Gentil
Secretario de Finanças,PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro,PED 2019


