Em 2022, o presidente Lula concebeu uma tática extraordinária para vencer as eleições e o resultado prático, de fato, se consolidou nas urnas de forma êxitosa, conforme esperado.
A tática da frente ampla, isto é, a composição de aliança programática incluindo setores do espectro político da direita ao centro, se mostrou acertada, uma vez que, permitiu-se atingir a estratégia a que se propunha, ou seja, vencer nas urnas a extrema-direita representada majoritariamente pela facção bolsonarista de nítido viés golpista e antipatriota.
Logo, a adoção de uma perspectiva pragmática, em política, executada pelo presidente Lula, possibilitou na prática interditar o retorno de uma nova ditadura no país e, consequentemente, o derramamento de sangue que adviria com a abolição do Estado Democrático de Direito.
Por mais que, haja um consenso de que a democracia brasileira ainda é socialmente bastante limitada e nesse sentido não é inverídico que seja meramente formal do que de fato existente, o dado concreto é que, tal imperfeição democrática é muito superior, do que viver em um novo regime autoritário e cujo recuo histórico significaria, justamente, postergar o inevitável aprimoramento dessa democracia conferindo-lhe, então, um verdadeiro conteúdo social ao aprofundar e abranger demandas autenticamente populares.
Com isso, todo brasileiro deve compreender que o primeiro benefício de Lula, consistiu em preservar-lhe a vida e de seus entes queridos, contra as arbitrariedades de um novo regime de exceção de caráter policialesco, onde o Estado seria instrumentalizado e convertido em uma máquina de guerra para: perseguir, prender, torturar e assassinar opositores políticos ou qualquer indivíduo que divergisse da ordem autoritária que esteve próximo de ser instituída.
E, por mais que, uma composição de forças amplas possa ter eventualmente truncado aprofundar-se determinadas demandas sociais, nem por isso, ainda que com limitações, mas, de fato, houveram avanços consideráveis e de envergadura inquestionável, que alteraram a paisagem do país suscitando o espírito de unidade para uma reconstrução da pátria pautada na soberania nacional e popular.
Daí porque, ao preservar-se o Estado Democrático de Direito, outros objetivos puderam ser atingidos: a revalorização do salário mínimo, o menor índice histórico de desemprego, a implementação da Justiça Tributária, o controle da inflação, o crescimento econômico do país, o estabelecimento de novos mercados para exportação dos produtos nacionais, enfim, um conjunto de progressos decorrentes da concepção pragmática subordinando a atuação política a resultados concretos e que impactem diretamente de forma positiva na vida das pessoas.
Nesse sentido, Geraldo Alckmin, adversário histórico de Lula, foi cooptado para seu governo e de inserção eficiente no segmento empresarial e círculos de investidores financeiros afiançou, no ecossistema da elite econômica, o caráter não radical do governo e, com isso, minimizou e diluiu resistências que poderiam ter evoluído para a ingovernabilidade do país em um contexto político deverás sensível em função da disputa pelo poder entre projetos antagônicos, de um lado, um projeto amplamente progressista, e de outro, um projeto estritamente autoritário.
Em 2026, a renovação da frente ampla tem tudo para novamente triunfar e exorcizar o espectro do autoritarismo, que ainda ronda o Brasil.
No governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad foi em Convenção Estadual (ocorrida em Campinas, (25/07/26), oficializado como pré-candidato ao governo tendo Márcio França, pelo PSB, como pré-candidato a vice-governador.
Nessa costura política, Lula deixou claro, na referida Convenção, que inúmeras divergências marcaram sua interação política com Márcio França e, no entanto, pelo conteúdo respeitoso do conflito havido, interpreto que Lula, acima de circunstanciais contendas particulares, compreendeu como ninguém, que a inclusão de França justifica-se em um projeto coletivo maior que é a contenção política da influência da extrema-direita, junto à sociedade brasileira.
O mesmo raciocínio pragmático aplica-se ao convite de Simone Tebet(PSB) para disputar, nessa frente ampla, uma das vagas ao Senado.De extrato social privilegiado, fazendeira e acentuadas divergências que atravessaram suas relações, mas igualmente afirma Lula, tendo-lhe sido feito embates respeitosos, tal perfil de Tebet associada a real preocupação com a defesa da democracia credenciaram-na a ser requerida a engajar-se nesse projeto de combate a extrema-direita.
A outra vaga ao Senado, será disputada por Marina Silva(REDE), em função de seu reconhecimento internacional no que concerne ao meio ambiente e que os negacionistas da extrema-direita negligenciaram no período em que estiveram no governo.
Com efeito, a maior abrangência da frente ampla, nesse horizonte pragmático de subordinar a realização política a resultados palpáveis na vida das pessoas, tem tudo para dar certo mais uma vez e outra vez, estrategicamente, impor uma nova derrota aos defensores do pensamento e da prática autoritária.
Essa tática associada a preocupação de habilitar o cidadão a votar com coerência e, portanto, construir uma votação que nos diferentes cargos em disputa (presidente, governador, deputado estadual, federal e senador) concedam no todo a representatividade ao campo de esquerda e progressista constitui um novo componente dessa aliança democrática tornando a frente ampla ainda mais poderosa.
Logo, Lula, ao reeditar a frente ampla, e em uma versão ainda mais potente, não só torna, politicamente, viável impor uma nova derrota aos autoritários, mas também pavimenta o caminho para que surja uma paisagem política mais favorável para continuar, assim, aprofundando e aprimorando a democracia com vistas a torná-la mais competente e eficaz no atendimento das demandas populares e em estrita observância e consonância com os direitos inalienáveis assegurados pela Constituição.
E isso é fundamental para que um 4° mandato de Lula possa ampliar as conquistas sociais e garantir uma vida melhor aos cidadãos, o que significa que embora a frente ampla possa apresentar, simultaneamente, supostos prós e contras, nem por isso, eventuais limitações devem se constituir em pretexto para dogmaticamente negá-la ou simplesmente se lhe opor, pois, há um impacto prático real e positivo no cotidiano das pessoas e que está vinculado não ao teor teórico do que se deseja, mas ao dado concreto de que, em política, as circunstâncias históricas determinam, o que é possível ser feito ou não.
Nas circunstâncias atuais, a frente ampla é ainda, a forma concreta de assegurar-se o avanço das forças de esquerda e progressistas pari passu a contenção, recuo e sufocamento das forças da extrema-direita, ao mesmo tempo em que, permitirá a Lula, em um novo mandato, continuar no avanço do progresso econômico e social do Brasil.
Charles Gentil
Secretário de Finanças, PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro, PED 2019


