TARIFAÇO de TARCISIO: O Gestor que Aplaudiu o Prejuízo de São Paulo, por Francisco Chagas

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Tarcísio de Freitas gosta de se apresentar como gestor. Mas um gestor não comemora medidas que prejudicam a economia do estado que governa. Foi exatamente isso que aconteceu quando Donald Trump anunciou as primeiras tarifas contra produtos brasileiros. Tarcísio não hesitou. Manifestou apoio à iniciativa e preferiu o alinhamento ideológico à defesa dos interesses de São Paulo.
A realidade agora cobra a conta.
São Paulo concentra cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos. É aqui que estão grandes indústrias, cadeias produtivas estratégicas, o Porto de Santos e milhares de empresas que dependem do mercado norte-americano. Quando as tarifas aumentam, não é um governo que perde. São trabalhadores que são demitidos, empresas que reduzem a produção e investimentos que deixam de acontecer.
Era o momento de o governador defender São Paulo. Liderar negociações, cobrar soluções, unir esforços com o governo federal e com o setor produtivo. Era isso que os paulistas esperavam de quem foi eleito para governar o estado.
Mas Tarcísio fez outra escolha. Preferiu transformar uma crise econômica em disputa política. Apostou que atacar o governo Lula lhe renderia dividendos eleitorais. Errou.
A economia não obedece à lógica das redes sociais. O desemprego não tem partido. A empresa que fecha as portas não pergunta em quem o trabalhador votou. O caminhão parado no Porto de Santos, a indústria do ABC com produção reduzida e a fábrica de Sorocaba sem encomendas são consequências reais de decisões políticas mal avaliadas.
Agora vem a pergunta que acompanhará Tarcísio durante toda a campanha de 2026: o que fez para proteger os empregos dos paulistas depois de apoiar uma política que atingiu diretamente a economia do estado?
Não basta dizer que a culpa é de Trump. Tampouco basta tentar transferir responsabilidades para o governo federal. Quem apoiou as tarifas quando elas foram anunciadas também precisa responder pelos efeitos políticos da sua posição.
Governar exige compromisso com o interesse público, não fidelidade a projetos ideológicos de outros países. O governador de São Paulo foi eleito para defender São Paulo. Quando escolhe outro caminho, abandona sua principal responsabilidade.
Os paulistas saberão fazer seu julgamento. Porque discursos passam. A propaganda passa. Mas o desemprego, o fechamento de empresas e a perda de renda ficam.
Em política, há erros que custam votos. Outros custam empregos. O apoio de Tarcísio às tarifas de Trump pode custar os dois.
São Paulo, 16 de julho de 2026.


Francisco Chagas é cientista social, vice-presidente do PT Paulista, foi vereador da cidade de São Paulo e deputado federal.

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