No dia 13 de junho, participamos do 2 Fórum Municipal do Mova SP. O encontro reuniu educadores e educadoras para debater os impactos das fake news no cotidiano das periferias e o papel da sala de aula como barreira contra o avanço do ecossistema da desinformação.
A palestra, intitulada “Fake News – A importância do letramento midiático”, foi conduzida por Ana Paula Lima, Mestra em Ciências, Arquiteta e Urbanista, e transformou-se em um espaço de forte troca de vivências sobre como as novas tecnologias afetam a realidade nos territórios. A atividade integra o Plano de Ação de Comunicação, inaugurado em junho de 2025 através da Carta dos Comunicadores do PT São Paulo. Nela nos comprometemos com a Formação Continuada, Popular e Inclusiva
Durante o encontro, a teoria do “mercado da desinformação” cruzou com a realidade prática do grupo. Relatos apontaram para um cenário de medo constante de golpes digitais e as desigualdades de acesso às novas tecnologias. As educadoras lidam diariamente com dois extremos em sala de aula: de um lado, pessoa hiperconectadas que passam 24 horas imersas em redes sociais, expostas a correntes de spam e engajamento artificial; de outro, pessoas que não possuem telefone celular ou acesso à internet.
Ana Paula Lima desconstruiu a engrenagem que transforma o boato em lucro (Criação, Distribuição, Engajamento e Lucro), explicando os sinais claros para identificar deepfakes – como vídeos manipulados por Inteligência Artificial imitando figuras públicas, a exemplo de clonagens do presidente da República citadas durante o debate.
O grupo também discutiu o impacto das fake news na democracia, observando como a desinformação é frequentemente utilizada para desestimular o eleitorado, gerando abstenção e esvaziando a importância do voto popular. Outro ponto sensível levantado foi a interseção entre fé e comunicação, destacando a responsabilidade de lideranças e influenciadores religiosos que, por deterem a confiança das comunidades, muitas vezes acabam repassando informações sem a devida checagem.
Além de apresentar a “Agenda Brasil Digital” e as iniciativas de soberania de dados do Governo Federal – que visam proteger crianças e garantir a concorrência leal –, o evento focou no método prático “Pare, Confira, Decida”. As professoras foram orientadas sobre as regras de uso do WhatsApp, a diferença entre liberdade de expressão e crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) e o uso de canais oficiais de denúncia, como o aplicativo Pardal do TSE e o “Saúde com Ciência”.
Ao final, a mensagem foi de mobilização. As educadoras e os educadores saíram com a missão de traduzir a checagem de fatos para o dia a dia de seus alunos e alunas.
“Cada sala de aula, cada roda de conversa e cada grupo de mensagens é uma barreira contra a desinformação. A verdade também se espalha, e começa na sala de aula”, resumiu a palestrante.



