Nesta quinta-feira, as ruas da Cidade Tiradentes foram palco de uma mobilização por paz e justiça.
O ato denunciou crimes de Estado e exigiu o fim da violência policial, reafirmando a defesa da vida nas comunidades periféricas.
A caminhada reuniu lideranças locais, órgãos de direitos humanos e moradores em um grito uníssono contra o racismo institucional.
Vozes da Resistência
A manifestação foi marcada por falas contundentes contra as atuais gestões estadual e municipal.
Manifestantes destacaram a urgência de enfrentar o que chamaram de “projeto racista e fascista” de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes.
Para Adilson Souza, representante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), a união do bairro é um símbolo de força: “Cidade Tiradentes está hoje toda reunida neste importante ato, nesta caminhada fundamental pela vida.”
O ouvidor das Polícias de São Paulo, Mauro Caser, defendeu que a segurança pública não deve ser um debate restrito às corporações: “A sociedade tem que se apropriar dessa discussão.
Segurança pública é algo para ser
discutido por todos nós — não só por quem a faz, mas principalmente por quem a recebe”, frisou.
Kátia, presidenta do diretório zonal do PT na Cidade Tiradentes, reforçou o caráter simbólico do território para o restante do Brasil: “Estamos em um ato importante não só para o nosso território, mas para São Paulo e para o país inteiro. Estão querendo nos matar, mas nós não vamos permitir!”
Ancestralidade e Luta
Um dos momentos mais emocionantes foi a fala da Mãe de Santo Kika. Aos 76 anos, a mulher negra trouxe a perspectiva da ancestralidade e da dor das famílias periféricas: “Tenho o maior prazer de estar aqui. Não vamos deixar que passem imunes com o abuso da violência do Estado contra a população negra, jovem e periférica. Lutamos pelas mulheres assassinadas por seus companheiros e pelo próprio Estado, que mata nossos filhos, netos e sobrinhos.”





