E foi 8M, e a cada ano os números não mentem: o que importa é o pós-8, e assim se segue até o próximo. Seguimos comemorando a vida? Ou chorando as mortes, o descaso, a misoginia? Assim como em toda luta por justiça, as mulheres estão na linha de frente por seus direitos. E não é diferente com as mulheres negras, que sofrem o silenciamento das estatísticas, sempre difundidas sem a devida categorização de raça, classe e gênero. Onde estão as principais vítimas? Onde estão?
Homens pobres matam, e matam muito. Não é a roupa delas, é o caráter deles. Não é porque ela não quis mais, é porque ele acha que o corpo da mulher é sua posse. O feminicídio é uma doença coletiva da sociedade patriarcal, que sempre viu as mulheres como inimigas do ser divino — à imagem de um tal deus minúsculo, sanguinário e altamente vingativo.
Os fatos são notórios e sabidos: Eva, a Inquisição, a submissão ao patriarcado, a escravidão, o estupro, a misoginia e, por fim, a epidemia de feminicídios que assola o Brasil, como relato final de abusos incessantes por parte de homens adoentados psiquicamente ou de mau-caratismo de formação.
Quero um 8M de vida, para encontrar as companheiras, pelas conquistas, pelo respeito. Não de reivindicação à mídia, que é de todas nós, mas que nos é negada desde o ventre, desde o tal chá de revelação.
No campo político, então, é ano de eleições. Estamos em 2026 e a urna nos aguarda. Mulheres negras, pensem no seu voto com raça e classe. Não acreditem na elite e entreguem de mão beijada seus sonhos, tempo e esforço político para receber uma banana ao final do pleito.
Andreia Teixeira Batista (Deia Zulu)
Secretaria de Combate ao Racismo do PT-SP


