Não importa o resultado da guerra de agressão dos EUA e seus aliados sionistas contra o Irã. Já sabemos quem sai ganhando: Donald Trump. O presidente americano nunca entrou numa empreitada para perder ao longo da vida. É o que mostra sua história. Desde o primeiro empreendimento bancado pelo pai até a atual agressão ao povo iraniano, Trump sempre sai com mais do que entrou. Ou, no mínimo, empata.
É verdade que muitos de seus negócios quebraram. Mas é preciso olhar para quem arcou com o prejuízo. Nos cassinos suntuosos de Atlantic City, nas Trump Towers ou nos concursos de Miss Universo, a conta nunca caiu no colo dele. Caiu sobre os investidores que acreditaram na mística do magnata. A fama de bilionário – cuja riqueza sempre o acompanha – é sua principal ferramenta para atrair outros bilionários aos seus projetos. Se der certo, todos ganham. Se der errado, Trump ganha ou, no mínimo, empata, deixando o prejuízo para quem acreditou no seu projeto. É exatamente essa lógica, agora em escala global, que move a guerra contra o Irã.
A Casa Branca como extensão da lógica empresarial
O primeiro mandato de Trump na presidência dos Estados Unidos (2017–2021) foi marcado por forte instabilidade institucional. A administração registrou uma rotatividade incomum de altos funcionários. Quatro chefes de gabinete passaram pelo cargo em apenas quatro anos — Reince Priebus, John Kelly, Mick Mulvaney e Mark Meadows —, além de mudanças frequentes nas áreas de segurança nacional e política externa.
O governo reuniu atores políticos heterogêneos: ideólogos nacionalistas como Stephen Miller e Steve Bannon, membros da família presidencial como Ivanka Trump e Jared Kushner, além de militares linha-dura oriundos do establishment de segurança nacional que posteriormente romperam com o presidente.
A pandemia de COVID-19 aprofundou a turbulência política e econômica. Em 2020, os Estados Unidos registraram uma contração econômica de cerca de 3,4% do PIB, segundo dados do Bureau of Economic Analysis, enquanto pelo menos 400 mil mortes relacionadas ao vírus foram registradas durante o período final do mandato de Trump, segundo compilações da imprensa especializada. No ambiente polarizado que se seguiu, Joe Biden venceu as eleições presidenciais daquele ano.
Quatro anos depois, Trump volta. Desta vez, cercado por gente de sua estrita confiança. Nomes como o bilionário Elon Musk – que comandou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), uma comissão consultiva – e Kristi Noem, secretária de Segurança Interna. Chamada por críticos de “Barbie do ICE” , Noem comandou as tropas do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), uma força polêmica que, na caçada para identificar e deportar estrangeiros, acumulou denúncias de abusos, homicídios e investigações por má gestão de contratos milionários.
Se no primeiro mandato Trump testava os limites institucionais, o retorno à Casa Branca veio com uma estratégia mais calculada: cercar-se de aliados fiéis e preparar o terreno para novos negócios.
A guerra contra o Irã, o novo negócio de Trump
É neste segundo mandato que Trump lança a Operação Fúria Épica contra o Irã. Os objetivos declarados – destruir o programa nuclear e derrubar o regime iraniano – estão longe de ser alcançados. No segundo dia de agressões, a aliança EUA-sionistas ceifou a vida do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. O feito foi comemorado por Trump como a primeira de muitas vitórias vindouras. Os clérigos escolheram para seu lugar Mojtaba Khamenei, filho de Ali, como novo líder supremo, num desafio direto a Washington. O novo líder, diferentemente do pai, é um defensor ferrenho do programa nuclear e da não participação do Irã em órgãos de controle como a Agência Internacional de Energia Atômica.
Os EUA não têm estratégia de saída. A popularidade de Trump despenca. Aliados no Golfo, como o bilionário Khalaf Al Habtoor, publicaram cartas abertas de protesto. Os soldados arriscam a vida. Os contribuintes já desembolsaram mais de US$ 11,3 bilhões só na primeira semana de guerra, de acordo com estimativas de institutos de acompanhamento orçamentário. As refinarias dos aliados árabes viraram alvo.
Em meio ao caos e à destruição, porém, uma engrenagem silenciosa continua girando: a dos lucros. Para o grande homem de negócios, está criada uma nova oportunidade de auferir ganhos extraordinários. Para ele, sua família e seus amigos.
Guerra, energia e oportunidades econômicas
Mas não são apenas os contratos da reconstrução que movimentam o tabuleiro. Os negócios para Trump e seus amigos vão bem – e não é de hoje. Em 2025, seu governo impôs um tarifaço global. Com taxas de importação que variavam entre 10% e 100%, Trump causou um desequilíbrio nas importações e exportações em todo o mundo. Porém, aos poucos, algumas coisas ficaram claras. Entre suas promessas de campanha, abandonar o Acordo de Paris e privilegiar o setor de petróleo e gás – um dos que mais contribuíram para sua reeleição – foi beneficiado pelas tarifas. Em acordos pontuais, como com a Coreia do Sul, para que as tarifas fossem reduzidas, o país asiático deveria se comprometer a importar dos EUA grandes quantidades de gás, deixando de comprar dos países do Golfo. O acordo incluiu a compra de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de gás natural liquefeito americano por ano – conforme noticiado à época – e investimentos bilionários. As petroleiras estadunidenses amaram o empenho e a generosidade de Trump em cumprir o combinado na campanha.
O acirramento do conflito com o Irã tem se revelado extremamente lucrativo para essas mesmas petroleiras. A disparada do preço do barril para além dos 100 dólares acelera o consumo das reservas globais — a China, por exemplo, mantém estoque suficiente para apenas 100 dias. Nesse cenário, as empresas do setor, que já detêm o controle da produção nos Estados Unidos — atualmente o maior produtor mundial de petróleo e gás —, expandem sua influência sobre a Venezuela, país que sofreu uma verdadeira ocupação orquestrada por Trump e seus aliados.
E os negócios do próprio Trump? Ele diversificou seus ativos em criptomoedas – US$ 550 milhões, segundo a Forbes, elevando sua fortuna estimada para US$ 6,5 bilhões em 2026 –, licenciou seu nome para novos empreendimentos e posicionou aliados para lucrar com a reconstrução que virá. Quando a poeira baixar, os contratos bilionários para refazer o que foi destruído serão assinados em salas fechadas. E é bem provável que levem a assinatura de gente próxima ao presidente.
A cada explosão, a cada sanção imposta, a cada barril de petróleo que se valoriza, Trump e seu círculo mais próximo consolidam uma nova fortuna. A guerra, afinal, é o negócio dos negócios.
Se a guerra fosse uma empresa S.A., – vamos imaginar como se fosse uma empresa com ações negociadas na bolsa de Nova York –Trump seria o acionista preferencialista. Aquele que recebe antes de todos, mesmo quando a empresa vai à falência. Os soldados morrem, os contribuintes pagam, os aliados são bombardeados, crianças morrem, os investidores perdem. Mas Trump? Trump ganha. Sempre.
*Filiado ao PT desde 1982, secespecialista em tecnologia da informação e comunicação na educação é coordenador da comunidade Militância & Redes no Whatsapp.
Por Marco Antonio Costenaro


