Sabesp: o pecado capital de Tarcísio de Freitas, por Charles Gentil

Diário de SP

Depois de toda a lambança de Tarcísio de Freitas, governador do Estado de São Paulo: de toda celebração com festa junto a investidores do mercado financeiro e,inclusive, premiação nos Estados Unidos, pela venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp. Depois de todo discurso exaltando o lucro obtido com esta privatização. Depois de toda ladainha monótona de Tarcísio sobre eficiência e modernização visando, com isso, justificar junto a opinião pública, a desestatização da Sabesp. Enfim, depois que o governador pintou e bordou . . .
Agora,Tarcísio: a conta chegou!!!

Desde 1° de janeiro está em vigor, em São Paulo, o aumento de 6,11% nas contas de água da Sabesp.

Assim, que fique claro como água cristalina: o que Tarcísio de Freitas chama de gestão eficiente tem apenas a eficiência de colocar uma mão invisível no bolso da população subtraindo-lhe suas economias na suposição de que,assim, deixando fazer, deixando acontecer, tudo irá de vento em popa, quando, na verdade, este é o pecado capital original de Adam Smith, o qual, logo, sinto-me livre para designar como: Adão Smith.

Aliás, da mesma forma que, eu sendo livre e nem, por isso, liberal, considero-me, portanto, à vontade para designar por Tarcísio Smith, o atual governador do Estado de São Paulo (ainda que, em economia,Tarcísio, seja mais radical que Adam Smith).

E não foi à-toa, que Tarcísio de Freitas, optou por pecar contra o consumidor e, assim, onerar-lhe o orçamento ao lhe infligir dor nas despesas, motivo pelo qual, Tarcísio, deveria, em consequência disto, levar uma mordida bem dada de sua própria consciência na mão direita e extremista; afinal, aí está o fruto de todo empenho deste bolsonarista para privatizar a Sabesp: a conta de água aumentou !!!

Aumentou: 6,11% !!!
Que vergonha, meu Deus!!!
6,11 % de aumento na conta, Cristo !!!
O que é isso? Isso significa que o consumidor que usa de 11 m3 a 20 m3 de água por mês irá ter que desembolsar por m 3, R$ 6,40, ao invés, de R$ 6,01.
Cristo, isso foi a gota d’água, Tarcísio !!!

E acredite: Tarcísio, até foi premiado, nos Estados Unidos, por privatizar a Sabesp.

Na premiação Deals of the Year Awards , que já acontece há 35 anos, Tarcísio de Freitas recebeu um prêmio internacional, em Nova York, na categoria Equity Follow-On of the Year concedido pela revista LatinFinance, especializada no mercado financeiro da America Latina e Caribe, conforme site da Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo – Agência SP.

Ao agradecer o prêmio Tarcísio diz “É uma honra receber essa importante premiação em nome do Governo de São Paulo. O bem-sucedido processo que levou ao follow-on da Sabesp é fruto da dedicação de uma equipe técnica de primeira linha, que trabalhou em uma solução transformadora para o saneamento”.

Francamente, é a gota d’água. O site Agência SP celebra com Tarcísio de Freitas, como sendo virtude e motivo de contentamento o que, na verdade, não é só motivo de lágrimas, mas também de contestação, pois, quando Tarcísio levou a cabo o follow-on da Sabesp e, portanto, colocou mais ações da Sabesp a venda no mercado, sob o pretexto de ser vantajoso arrecadar com a privatização R$ 14,8 bilhões, mesmo Tarcísio de Freitas sabendo que não haviam dados econômicos, que descem lastro à sua tara privatista.

Aliás, se antes da privatização, conforme o site Monitor Mercantil, no 2° trimestre de 2024, o lucro da Sabesp foi de R$ 1,21 bilhão, logo, superior aos R$ 743,7 milhões do mesmo período do ano anterior, o que justificou a venda da Sabesp?

Considerando-se ainda que, conforme o site Terra, o lucro da Sabesp foi, no final de 2023, de R$ 3,523 bilhões e, com isso, 12,9% maior que o lucro anual apurado em 2022, então – por Cristo – , insisto , o que justificou a venda da Sabesp?

Logo, fica evidente que Tarcísio de Freitas, vendeu a Sabesp, com o propósito de colocar sua lucratividade a serviço de investidores privados e não para que o rendimento da empresa fosse destinado a beneficiar a população.

Daí porque, foi: celebrado, ovacionado e premiado, em evento que reuniu executivos e investidores internacionais da América Latina e Caribe, pois, eu, categoricamente, afirmo que: em seu radicalismo liberal, em seu extremismo antiestatizante, em seu fanatismo em reverência ao Deus mercado, Tarcísio de Freitas, entende que mesmo empresas rentáveis devem ser postas à venda.

E aí está o pecado capital de Tarcísio [Adão] Smith, que, injustamente, em 2024, vende com a venda nos olhos, uma empresa altamente lucrativa, a Sabesp, para atender a ânsia de lucro de executivos e investidores internacionais; trata-se, como sempre, de um troca-troca antigo ( do famoso: toma lá, da cá); o mercado, por um lado, com apetite voraz por assenhorar-se de uma empresa que, ano a ano, proporciona vultosos lucros, e , por outro lado, Tarcísio de Freitas, o político autoritário bolsonarisra, com nítida fome de poder alimentando-se da vontade de instalar-se, no Palácio do Planalto.

Desta forma, por via desta e outras privatizações,Tarcísio de Freitas, surfando nas águas do Estado mínimo e mercado máximo – sobretudo, desde que se tornou governador do Estado de São Paulo – , busca ( e isso é evidente) em troca de apoio financeiro dos endinheirados, ser alçado à presidência da República, em 2026 (uma mão invisível lavando a outra: a do mercado e a do bolsonarista, ambas, porém, querendo apalpar as pernas de empresas competitivas e lucrativas, para a satisfação de seus interesses privados).

E ainda que a venda da Sabesp tenha tido como consequência onerar o bolso do consumidor, que terá que pagar mais caro ( lembre-se: 6,11% ) pela conta de água, para Tarcísio de Freitas, continuará sendo uma honra ter recebido “(…) essa importante premiação [ pela venda da Sabesp. O grifo é meu] em nome do Governo de São Paulo”.

Afinal, o reajuste referido é, de acordo com Tarcísio de Freitas, uma mera recomposição tarifária prevista em contrato e retroativa a inflação acumulada nos últimos 16 meses, logo, desde julho de 2024, quando ocorreu a desestatização, conforme consta no site G1 São Paulo.

Portanto, – pasmem !!! – Tarcísio de Freitas, nega haver um aumento real no valor do consumo da água, após ter comandado a privatização da Sabesp.

Daí porque, no site Agência SP, conforme acima, supõe ter sido “(…) bem-sucedido”, aquele ” (…) processo que levou ao follow-on da Sabesp”, isto é, à venda de uma empresa lucrativa; porém, ao contrário do que afirma Tarcísio de Freitas, a desestatização da Sabesp, só pode, de fato, ser considerada um sucesso, do ponto de vista dos investidores e executivos que a adquiriram, não da perspectiva da população que, aliás, irá arcar nas contas, inicialmente, com o custo de 6,11%, devido a esta privatização.

E mais, quando o governador diz que a desestatização “(…) é fruto da dedicação de uma equipe técnica de primeira linha”, isso me faz, criticamente pensar, que Tarcísio [Adão] de Freitas, morde o fruto do Deus mercado para assim, de forma premeditada, pecar contra o consumidor e, então, apenas beneficiar executivos e investidores, que rigojizam no paraíso privado de seus interesses financeiros.

Mas, que fique claro: Tarcísio de Freitas, ao desestatizar a Sabesp, é o responsável direto pelo aumento de 6,11% nas contas e, evidente é, até foi premiado por isso, uma vez que, se mantém obediente aos preceitos econômicos do radicalismo liberal, sobretudo, porque sua premiação mais cobiçada consiste em: tornar-se Chefe do Executivo, após as eleições presidenciais deste ano.

Daí porque, o consumidor tem, neste ano, a oportunidade de ouro para fazer o ajuste de contas com o governador, Tarcísio de Freitas e demais autoritários, que ainda rondam a República.

Que cada consumidor não se limite a lamuriar, Tarcísio: a conta chegou!!!, mas que, nas urnas, se eventualmente Tarcísio de Freitas, for um presidenciavel, diga em alto e bom tom – Tarcísio: a conta chegou!!!, e, com isso, se faça o devido ajuste de contas democrático, impedindo, pelo voto, que esse autoritário – pela venda da Sabesp e outros desserviços prestados – chegue ao Palácio do Planalto, uma vez que, não há nada mais edificante e promissor ao Brasil, à soberania nacional e à democracia, do que um 4° mandato de Lula.

E o Brasil precisa deste momento, necessita de um 4° mandato de Lula, para lavar a alma, para que nosso povo heroico possa unir-se mais e mais enquanto nação, e higienizar-se de tanta sujeira e entulho autoritário ( de Flávio Bolsonaro a Tarcísio de Freitas), que ainda poluem e, por vezes, perturbam, as águas plácidas, de valor incalculável dessa jovem (certamente, ainda imperfeita), mas preciosa e inestimável democracia.

Charles Gentil
Secretário de Finanças,PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro,PED 2019

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