O Rio de Janeiro ( e não é de hoje) vive uma guerra não só entre as facções criminosas por controle de território que visam, com isso, a expansão de seus negócios ilícitos, portanto, quanto mais território, mais poder e quanto mais poder, maior o volume de dinheiro obtido, tudo conquistado, claro, com armamento pesado, opressão da população, tortura e muito derramamento de sangue também entre os integrantes das facções rivais.
Mas não é só. A população vivencia também a guerra do Estado contra estas facções criminosas para retomar o controle territorial e restituir a autoridade do poder público e a ordem institucional desafiada pela cúpula do crime organizado.
No entanto, as operações de confronto por parte do Estado do Rio de Janeiro, no combate aos criminosos resultam, no entanto, via de regra, detestáveis excessos de abuso de poder e condutas ilegais evidenciadas por exemplo, na invasão(sem o devido mandato judicial) de domicílios de cidadãos e o destrato verbal ou físico aos moradores das favelas, uma vez que, na lógica militar do confronto, todos, então, tornam-se inimigos ou suspeitos de colaboração com estes, o que por si só, exige ou supostamente valida por parte dos agentes de segurança, a adoção de conduta enérgica com vistas a deixar claro que: a ordem será reinstaurada, ainda que à força.
E na prática o confronto acontece com um saldo de criminosos neutralizados ( leia-se mortos) bem maior que o número de vítimas dos agentes do poder público, inclusive, pelo preparo superior dos membros das forças de segurança, que, aliás, contam, diariamente, com treinamento técnico e especializado acessível apenas, de forma precária, aos criminosos e ofertados por alguns ex-agentes das forças de segurança pública.
Há também cidadãos inocentes que sempre morrem nestes confrontos entre o poder público e o crime organizado, quer sejam confundidos com criminosos durante estas incursões de combate, quer sejam vitimados por balas perdidas.
Então, o Rio ferve.Rio 40 graus e o cenário é de guerra: no alto, drones, tanto de criminosos, quanto do Estado carioca, mapeiam o espaço do confronto; no solo, carcaças de veículos, espalhados, nas ruas da favela, ardendo em chamas para formar barricadas,enquanto fogo ateado à pneus buscam diminuir a visibilidade do local e, no conjunto, tudo, com o intuito de dificultar o avanço das forças de segurança pública, observadas por integrantes das facções criminosas, os quais instalados em posições-chave, encontram-se aptos a surpreender com disparos letais.
Diante deste estado de coisas, deste estado de guerra permanente faz-se, então, mister ponderar as limitações desta conduta do confronto, no bem intencionado combate ao crime organizado e, com isso, ponderar a eficácia real desta prática, uma vez que, após o enfrentamento, em poucas semanas, as facções criminosas se reorganizam, substituindo os integrantes mortos e recomeçam sua atuação ilícita, inclusive, empenhados em expandir o território sob sua influência reiterando, assim, seu desafio à ordem pública constituída.
E é fato – sabe-se – que de boas intenções o inferno está cheio. E sabe-se – é fato – que Cláudio Castro está, em um inferno de 40 graus, cheio de “boas” intenções.
Mas, boas intenções não são suficientes para resolver um problema, sobretudo, se as ditas boas intenções são apenas a pele que oculta o real propósito que é: obter em breve ( leia-se 2026) boas votações; isto mesmo, a prática do confronto é, eleitoralmente, rentável.
E é , exatamente, disto que se trata. A adoção de mera política de confronto no combate ao crime organizado não produz resultado eficiente, pois, os celerados, simplesmente, se reorganizam.
Na verdade, Cláudio Castro, faz – penso – da segurança pública mero instrumento para beneficiar-se nas eleições, uma vez que, os seguimentos autoritários da sociedade, os quais Cláudio Castro está alinhado, precisam nutrir este clima de guerra ininterrupta, o frisson e a expectativa daí decorrente, o medo instalado na classe média e, em geral, no povo, e apresentar-se por meio da conduta do confronto ao crime organizado, como o homem público, rígido, rigoroso, e capacitado a proteger a sociedade provendo-a de segurança.
Porém, o recente episódio do Complexo da Penha, à exemplo, de tantas outras ações ostensivas, revelam que o mero confronto com os criminosos não surte efeito concreto.Que civis e agentes de segurança tornam-se bucha de canhão e vítimas de cálculos políticos, eleitorais, no entendimento rasteiro, de que a vida pública deve servir a interesses privados.
Então, protesto contra este ardil manipulador, e é certo, proveniente dos setores autoritários da sociedade, que tratam o tema da segurança pública, com retórica de fogo e prática ostensiva, mas sem eficácia consistente, no combate ao crime organizado.
A PEC da Segurança Pública do governo Lula – estacionada na Câmara – , que visa integrar no território nacional as ações de inteligência das forças de segurança demonstra solução arrojada para a efetividade do combate ao crime organizado, pois, há a compreensão do governo Lula, de que o sufocamento econômico ( dos fluxos financeiros ) do tráfico é fundamental para desarticular as facções criminosas, além de adoção ostensiva de políticas públicas, por parte do Estado do Rio de Janeiro, a fim de que os criminosos não aliciem os cidadãos de bem.
Com isso, ao apresentar a PEC da Segurança Pública, o governo Lula não só viabiliza uma ação consistente no combate ao crime organizado, como também retira dos setores autoritários o pretenso monopólio na tratativa do tema demonstrando, ao mesmo tempo, a fragilidade da mera conduta de confronto às facções criminosas, como fez Cláudio Castro.
A PEC da Segurança Pública do governo Lula, não é, portanto, um cabo eleitoral, como são as meras práticas de confronto como a adotada por Cláudio Castro, mas a PEC da Segurança Pública do governo Lula visa, e de forma eficaz, combater o crime organizado, inclusive, em sua raiz, pois, o crime organizado surge com a ausência de investimentos do Estado em políticas públicas ( e nisto as sucessivas gestões de direita no Rio foram eficazes), e se fortalece – o crime organizado – que passa a estruturar-se financeiramente e atuar, então, no dia a dia da população sem que haja, por parte do poder público, uma ação de inteligência unificada para desmontar os grupos criminosos que, todos os dias, buscam se organizar.
Neste sentido, é necessário que a Câmara aprove com urgência a PEC da Segurança Pública do governo Lula, a fim de que não aconteça um novo aumento de temperatura neste, Rio, hoje, ainda de 40 graus.
Charles Gentil
Secretário de Finanças,PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro,PED 2019


