Enquanto Donald Trump investe, de forma cínica mundo afora, no marketing político para moldar a imagem de um homem público severo, com pulso firme e supostamente empenhado na promoção da paz e,aqui, refiro-me, em específico, a sua intervenção autoritária na Faixa de Gaza, por outro lado, Donald Trump trabalha na tentativa de esculpir a imagem de uma liderança mundial em franca guerra no combate ao narcotráfico como, por exemplo, no assédio recente que tem feito contra o governo de Maduro, na Venezuela.
Desta forma, a ambiguidade na construção de sua imagem internacional, onde ao mesmo tempo, mostra-se como um presidente que promove, de um lado, a paz e de outro, a guerra, busca, então, na verdade, Donald Trump, assim, ocultar o fato de que suas intervenções na política externa norte-americana consistem tão somente, em uma atuação que visa colocar-se como xerife do planeta, na suposição de que o mundo deve curvar-se ao poderio militar dos Estados Unidos.
E não é só. Primeiro, Donald Trump fez, por exemplo, uma guerra tarifária contra o Brasil taxando nossos produtos nacionais sob a falsa alegação de que a balança comercial norte-americana era prejudicada por não apresentar superavit, o que foi desmentido pelo Brasil, quando mostrou-se, numericamente, a evolução dos dados da balança das relações comerciais entre os dois países.
Com efeito, sabe-se que a motivação desta guerra comercial contra o Brasil e desencadeada por Donald Trump apenas consistiu na tentativa arrogante do governo norte-americano de interferir na soberania brasileira, ao questionar o processo em curso, no Supremo Tribunal Federal, contra Bolsonaro por, entre outros crimes, chefiar organização criminosa armada e tentativa de abolir, de forma violenta, o Estado Democrático de Direito.
Em seguida, alimentando está imagem ambígua, Donald Trump, posteriormente, mostrou-se mais afável, pacífico e disposto ao diálogo chegando,inclusive, a elogiar Lula e, assim, sinalizando uma concórdia possível no sentido de rever a taxação que, antes, energicamente, havia imposto.
Ou seja, a construção pelo presidente norte-americano desta imagem instável em política externa onde: ora apresenta-se como inflexível, determinado, belicoso, temível, autoritário e fechado ao diálogo e ora apresenta-se como cordial, suscetível ao diálogo, elogioso, disposto à paz, generoso e amistoso faz parte, na verdade, de sua própria estratégia de dominação, a fim de criar uma aura de que, com ele, extremista de direita, necessário é ser prudente e ter muita precaução, pois, seu estado de ânimo instável tornado natural – pela estratégia de marketing – , a fim de, com isso, criar em seus interlocutores uma sujeição voluntária subscrevendo a aceitação tácita de que Donald Trump deve ser naturalmente tratado e considerado como um homem superior.
Porém, quando um líder mundial como, por exemplo, Lula, não aceita acatar o papel subserviente esperado pelo script da psicologia do domínio talhado, cuidadosamente, pelo marketing político dos estrategistas publicitários norte-americanos, então, Donald Trump, precisa inverter sua conduta mostrando a versão dócil de sua imagem, mas como uma tentativa de sugerir que, ele, mantém,ainda, enquanto presidente dos Estados Unidos, a suposta posição de superioridade, motivo pelo qual, aliás, deve-se aguardar a eventual revisão do que, antes, havia, de forma unilateral sido deliberado, quando, na verdade, este rito obrigatório a que se deve passar refere a tática de Donald Trump, de não transparecer ao mundo, que sua autoridade foi, no fundo questionada, ao tornar público, pelo Brasil, que não aceitaria ser tutelado por nenhum país.
E nisto assenta-se a dinâmica das relações internacionais, que opera por meio do dinamismo do poder e poder entendido como interações em tensão, conjunto de forças divergentes em relação permanente, interpenetração de posições opostas, que expressam a energia vital das vontades participantes dos protagonistas que configuram, a partir de suas geografias interiores, a geopolítica mundial.
Daí porque, Donald Trump busca sob o pretexto de combater o narcotráfico sinalizar uma ameaça à soberania da Venezuela, e, com isso, espera nesta relação de poder submeter o presidente Maduro, na suposição de que este, mais cedo ou mais tarde, irá reconhecer a superioridade dos Estados Unidos, inclusive, pelo cerco que, aos poucos, vai sendo montado contra à Venezuela.
Acontece que, em todas estas intervenções, seja na Faixa de Gaza, no Brasil ou Venezuela, o que está em jogo é a tentativa de Donald Trump de colocar-se como xerife do mundo, ao buscar em diferentes níveis, intervir na soberania destes povos: seja palestino, brasileiro ou venezuelano.
Donald Trump mente quando diz querer a paz na Faixa de Gaza, pois, há 2 anos apoia o Estado de Israel na prática de genocídio contra o povo palestino.
Donald Trump mentiu quando buscou desinformar as pessoas alegando manter com o Brasil relações comerciais desvantajosas, quando os Estados Unidos há anos mantém, nesta relação comercial, superavit.
Donald Trump mente quando assedia e cerca a Venezuela sob o pretexto de combater o narcotráfico.
A verdade nua e crua é que, Donald Trump, ameaça a soberania dos povos, uma vez que, tal prática é necessária para manter, no mundo, a hegemonia norte-americana.
Isto evidencia o quanto a conduta autoritária de Donald Trump nas relações internacionais vai tornando-se obsoleta, uma vez que, o mundo não só não aceita mais, mas chega mesmo a estranhar os rompantes truculentos de Donald Trump, que se autodeclara xerife do planeta e para isto precisa mostrar-se instável: como se a guerra e a paz mundiais dependesse, exclusivamente, de sua vontade.
Uma hegemonia, um unilateralismo excludente, que a cada dia vai sendo, naturalmente, questionado, tanto pelos blocos econômicos como por exemplo: o BRICS, quanto pela busca da construção de um multilateralismo planetário consistente, que possibilite aos povos interagirem em recíproca relação política de respeito, bem como em mútua relação econômica de desenvolvimento compartilhado tornando, assim, mais equitativa, na geopolítica mundial, a busca por uma nova interação entre os povos.
Charles Gentil
Secretário de Finanças, PED 2025
Ex-presidente do Diretório Zonal PT do Centro, PED 2019


