Em pronunciamento oficial, Lula reage a taxação dos EUA e defende soberania nacional

Ricardo Stuckert

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão nesta quinta-feira (17), o presidente Lula fez um duro pronunciamento contra a decisão do governo norte-americano de taxar produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto. Lula classificou a medida como uma “chantagem inaceitável” e disse que o ataque à economia brasileira também representa uma tentativa de interferência nas instituições do país.

“Esperávamos uma resposta [a uma proposta de negociação enviada em maio] e o que veio foi uma chantagem inaceitável em forma de ameaças às instituições brasileiras e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou.

Segundo Lula, o Brasil agiu com abertura e diálogo, promovendo mais de dez reuniões com representantes dos EUA antes do anúncio da taxação.

“Fomos surpreendidos”, declarou. Para o presidente, a medida fere a soberania nacional e tenta impor ao Brasil um comportamento submisso, o que não será aceito.

Soberania e justiça sob ataque

O presidente denunciou também o apoio de políticos brasileiros à medida norte-americana. Sem citar nomes, Lula acusou parte da oposição de colaborar com interesses externos em prejuízo do Brasil.

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria”, disse.

Lula defendeu o Judiciário brasileiro e destacou que o país respeita o devido processo legal e os direitos fundamentais. “Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”, reforçou.

O presidente também defendeu conquistas nacionais como o combate ao desmatamento e o sistema de pagamentos instantâneos. “O Pix é do Brasil. Não aceitamos ataque ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo”, disse.

Comércio global e a paz

Lula lembrou que, desde o início do seu governo, o Brasil abriu 379 novos mercados para seus produtos e vem negociando acordos com a União Europeia, a Ásia, a África e países da América Latina e Caribe.

“Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”, afirmou.

Por fim, Lula disse que o Brasil recorrerá a todos os meios legais, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Lei da Reciprocidade, para defender sua economia.

“Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos, acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono, o povo brasileiro”, concluiu.



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